Colecionadores de CDs e discos de vinil sobrevivem à era da música digital

Por Letícia Feitosa

Serviços de streaming digitais, como Spotify e Apple Music, predominam hoje na indústria musical. O consumo de música no formato digital, segundo a Associação da Indústria de Gravação dos Estados Unidos, impulsionou o crescimento da faturação da receita dos EUA em 11,4% em 2016. Porém, as mídias físicas, como discos de vinil e CDs, ainda resistem às mudanças tecnológicas e continuam a frequentar as prateleiras de alguns colecionadores.

CDs ainda continuam a frequentar as prateleiras de alguns colecionadores. Foto: reprodução

A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) reconheceu, em 2015, uma redução de 21% na venda de CDs. Mas ainda existem amantes da música que preferem ter o produto nas mãos. É o caso de Jonh Ewerton, 24, professor de inglês e matemática, que ainda mantém o hábito de comprar álbuns físicos. Para ele, “ter a mídia física é a mesma sensação de ter um livro”. Ewerton começou a colecionar com a finalidade de ter as discografias dos artistas que gosta na sua estante, e hoje seu acervo conta com álbuns da Madonna, Cher, Celine Dion e Shakira. “O que me leva a comprar cds é simplesmente o fato de gostar da obra por completo. Eu sinto mais prazer em escutar uma música contida num CD a escutar uma música num serviço de streaming ou em mp3”, diz.

“O que me leva a comprar CDs é simplesmente o fato de gostar da obra por completo […] Eu sinto mais prazer em escutar uma música contida num CD a escutar uma música num serviço de streaming ou em mp3” (Jonh Ewerton)

Andrew Junior, 23, designer gráfico, também coleciona CD’s. Junior começou sua coleção em 2008 e o primeiro álbum que comprou foi “The Fame Monster”, da Lady Gaga. Ele afirma que “a mídia física, por mais que seja meio ultrapassado nesses últimos anos, ainda tem a beleza e a qualidade que a mídia digital não tem”. Ele conta que é o único no seu círculo de amizade que mantém esse costume. “Sou bastante zoado, mas é como eu disse, eu vejo mais beleza nos CD’s. Então, ter eles ali na minha prateleira me satisfaz”.

Apesar de não colecionar, Adonai Elias, 21, trabalha com produção cultural e tem o hábito de comprar CD’s. Para ele, a compra de álbuns é muito importante para o artista. “Acho que o CD, para um músico, é como um livro para um escritor. Nós, se gostamos de um artista ou mais, devemos comprar os CD’s, os livros, pagar ingressos. Essa é a forma de sobrevivência financeira e cultural de tais artistas”, explica.

“Acho que o CD para um músico, é como um livro para um escritor. […] Nós, se gostamos de um artista ou mais, devemos comprar os cds, os livros, pagar ingressos. Essa é a forma de sobrevivência financeira e cultural de tais artistas” (Adonai Elias)

Segundo o levantamento da IFPI, apesar do crescimento dos serviços de streaming e da queda no mercado de CDs físicos, a venda do vinil, também conhecido por LP (long play), cresceu 4%. De acordo com o colecionador, expositor, organizador de feiras de LPs e DJ, Március Fish, 41, uma das atrações do LP é a sua durabilidade. “O vinil é uma mídia que não tem prazo de validade, como CDs e DVDs”, afirma Fish.

O colecionador de discos percebeu o aumento das mídias digitais, mas afirma a superioridade musical do vinil. “Considero a cultura do vinil uma das mais amplas manifestações culturais e artísticas, pois se trata de música. Música que conta a histórias de várias épocas, de povos, de marcos dos tempos, de vidas, de pessoas e de sentimentos”, fala.

“Considero a cultura do vinil uma das mais amplas manifestações culturais e artísticas, pois se trata de música. Música que conta a histórias de várias épocas, de povos, de marcos dos tempos, de vidas, de pessoas e de sentimentos” (Március Fish)

Mercado de discos em Fortaleza

Március Fish é colecionador, expositor, organizador de feiras de LPs e DJ. Foto: arquivo pessoal

“Eu coleciono desde que eu me lembro”, conta Albanita Luz, 20, estudante de dança, que começou a comprar CD’s porque seus pais tinham esse costume. Cássia Eller, ABBA e Carmen Miranda são alguns dos artistas presentes em seu acervo, porém a estudante afirma que está sendo complicado alimentar a sua coleção por causa da escassez de lojas físicas na cidade. Para o produtor cultural Adonai Elias, “é bastante complicado comprar CD’s nas lojas físicas de Fortaleza. É comum apenas encontrarmos os álbuns em lançamento ou os grandes nomes do mercado”, comenta.

Apesar das poucas lojas físicas, Március Fish acredita que a venda e a apreciação dos discos de vinil estão em alta em Fortaleza. O DJ organiza feiras e eventos voltados à cultura dos LP’s na cidade, como o “De volta pro Vivil”, “Vinil Juke Box” e o “Quartafeirese com Vinil”, projetos voltados à compra, exposição, troca e artesanato com  LP’s. Para ele, “hoje temos um mercado preparado para atender qualquer demanda de qualquer gênero musical no formato LP”, relata.

Confira alguns pontos de venda de cds e de discos de vinil em Fortaleza:

Infografia: Ravelle Gadelha

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