Estudos mostram que música ajuda no desenvolvimento neurológico

Por Clara Menezes

A música tem o poder de diminuir não somente a ansiedade, mas também o nível de cortisol, um hormônio liberado como resposta ao estresse. É o que mostra o resultado de uns estudos realizados com pacientes pela Universidade Mcgill, em Montreal, Canadá, em 2016, e conduzida pelo psicólogo Daniel Levitin, que estuda a neurociência da música. O estudo comprovou também que as melodias possuíam um efeito melhor nos pacientes que os próprios remédios medicinais.

Outro estudo, feito por Yunxin Wang, do Laboratório State Key de Neurociência Cognitiva e Aprendizado, da Universidade Normal de Beijing, na China, confirmou que o aprendizado de instrumentos musicais entre os jovens aumenta as habilidades linguísticas e as funções executivas do cérebro. Isso indica que a música exercita as habilidades da mente de controlar e regular pensamentos, emoções e ações diante de conflitos e distrações.

João Luiz Mota, 19, tocando guitarra na frente do piano de seu avô. Foto: Arquivo Pessoal.

O controle emocional proporcionado por essa arte é um dos principais motivos para aprender a tocar instrumentos. Esse foi, por exemplo, o caso do estudante de Direito, João Luiz Mota, 19. “Tocar piano foi uma forma de me ocupar e esquecer da solidão, que eu sentia algumas vezes durante meu intercâmbio nos Estados Unidos. Era uma terapia de relaxamento. Por causa do ano do vestibular, eu passei um ano sem tocar nenhum instrumento até que, em abril de 2016, o avô, que me deu meu primeiro piano, faleceu. Então, eu voltei a tocar tanto o piano como o violão. A música era meu jeito de fugir da dor de perder quem sempre foi meu segundo pai. Eu fugia do mundo real e ia para o meu mundo”, explica João.

Essa relação emocional entre a música e o ser humano foi estudada por Lev Vygostky, um psicólogo russo pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual de crianças ocorre de acordo com suas experiências sociais. Segundo Vygostky, os sentimentos e pensamentos vividos pelas pessoas durante o processo de criação musical procedem de experiências reais subjetivas.

Acerca da relação sentimental que essa arte é capaz de evocar nos indivíduos, o pós-graduando em musicoterapia, Lucas Bonfim, 22, afirma que “a música está presente desde o início do desenvolvimento humano, caracterizando uma das primeiras formas de expressão autêntica do ser humano. Ela evoca uma sensação de afeto, seja ele significativo ou não”.

Ademais, de acordo com o violinista Robert Gupta, em estudos que fez junto com Gottfried Schlaug, médico do Departamento de Neurologia, Música e Neuroimagem Laboratorial de Harvard, foi comprovado que músicos possuem a estrutura do cérebro diferente se comparado a de não músicos. Além disso, a música era capaz de acender todo o cérebro, ou seja, ele funciona completamente quando estimulado dessa maneira.

A música como terapia

A música possui, também, uma vertente terapêutica chamada musicoterapia, utilizada especificamente por profissionais da área. Sendo extremamente versátil, “a musicoterapia abarca um grande público, desde recém-nascidos internados em UTIs neonatais a adolescentes, grávidas, adultos e idosos”, afirma Lucas Bonfim. O tratamento é, segundo o estudante de psicologia, “o uso de experiências musicais com algum intuito terapêutico”.

“A musicoterapia abarca um grande público, desde recém-nascidos internados em UTIs neonatais a adolescentes, grávidas, adultos e idosos” (Lucas Bonfim)

Pedro Ximenes, 19, enfrenta diversos problemas com a música. Foto: Arquivo Pessoal.

Seu objetivo é, principalmente, atender às necessidades físicas, mentais, sociais, emocionais e cognitivas de acordo com cada paciente através, principalmente, do aprendizado da música. Alguns dos benefícios da musicoterapia são ajudar na expressão corporal, aumentar a concentração e raciocínio lógico, atuar no desenvolvimento da inteligência espacial, estimular a coordenação motora, controlar a pressão arterial, melhorar distúrbios de comportamento, entre outros. No entanto, essas melhorias terapêuticas são apenas bem desenvolvidas quando “há muito cuidado, por parte dos profissionais, para que sua prática [da musicoterapia] seja efetiva e condizente com a realidade do cliente”, explica Lucas Bonfim.

A música é extremamente importante para enfrentar diversos problemas, como foi o caso do estudante de Publicidade, Pedro Ximenes, 19, durante uma crise familiar. “Durante a separação dos meus pais, eu ficava muito triste, com o coração acelerado e não sabia o que fazer para melhorar a minha situação. Então, a música começou a aliviar minha ansiedade e tudo o que me fazia mal”.

Pedro reconhece a importância dessa arte em sua vida e como sua personalidade mudou depois que começou a tocar instrumentos. “A música me ajudou bastante com minha ansiedade porque é uma forma de ocupar a mente. Quando você está ansioso, não fazer nada é horrível, então, eu toco violão e acabo esquecendo. Eu melhorei como pessoa, depois da música”.

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