Crise econômica reduz garantia de sucesso dos food trucks

Por Lígia Grillo

Os food trucks já foram febre nos Estados Unidos, onde surgiram ainda em 1872, criado por Charles Goodnight que decidiu capitalizar trabalhadores e jornalistas apressados, porém, só se tornaram populares em 2008 com a crise nos Estados Unidos, quando muitos proprietários de restaurantes tiveram de fechar suas portas e sem opções, investiram em food trucks. De uns tempos para cá eles têm atraído cada vez mais o interesse de empresários em montar o seu negócio no Brasil.

O crescimento gradativo deste tipo de restaurantes movimentou, em 2014, R$140 bilhões no Brasil, um crescimento de cerca de 20% em relação a 2013, quando faturaram R$ 116,55 bilhões. Tais números têm seduzido mais pessoas para montar o seu próprio negócio, por parecer ser uma iniciativa mais fácil e por gerar muito lucro. Mas será que montar um food truck é garantia de sucesso?

A atividade surgiu com o intuito de oferecer comida rápida e barata, em trailers que se espalharam pelas cidades brasileiras nos últimos anos. O sucesso fez com que alguns empreendedores abrissem restaurantes e franquias de trucks. Mas este sucesso está cada vez mais difícil, pois o preço do aluguel dos estacionamentos estão cada vez mais caros, e as dificuldades ampliam-se principalmente para iniciantes, que ainda não alcançaram lucro com os investimentos.

José Antônio dos Santos, 44, resolveu investir no restaurante móvel “Arretado de Bom” e conta como foram os desafios enfrentados no início. “As dificuldades foram muitas, abrimos o ‘Arretado de Bom’ em agosto de 2015, crise no auge, enquanto eu e minha esposa abríamos nossa empresa, muitos estavam fechando a sua. Éramos microempreendedores individuais e tivemos dificuldade para abrir conta corrente e conseguir crédito”. Assim como muitos empresários, João Antônio também tem o objetivo expandir seu negócio transformando-os em futuros restaurantes e franquias. “Temos planos de montar uma loja fixa e trabalhamos com delivery”, conta o proprietário do Arretado de Bom, porém é necessário muito trabalho e investimento

José Antônio dos Santos, 44, resolveu investir no restaurante móvel “Arretado de Bom”.
Foto: Arquivo Pessoal

São poucos os que conseguem o sucesso, por exemplo de um El Chancho, que hoje já está bem estabelecido e tornou-se um restaurante de sucesso. Segundo o proprietário do Arretado de Bom, “o mais importante é estudar o seu negócio e seguir um planejamento antes de montá-lo, conhecer seu público alvo, sua concorrência e a sazonalidade do mercado. Feito isso, é pôr mãos à obra, trabalhar muito e não se deixar abater pelos problemas que encontrar pelo caminho”.

O setor alimentício é um dos últimos a sentir a crise financeira, mas com tanta concorrência e as pessoas saindo de casa cada vez menos, como arcar com as despesas? “Procuramos nos adaptar fazendo promoções, aperfeiçoando nosso atendimento para fidelizar nossos clientes e o mais importante mantendo a nossa qualidade”, relata José Antônio, do Arretado de Bom.

Uma outra grande dificuldade enfrentada por quem tem um food truck são os lucros, já que o país se encontra em crise financeira, o preço dos alimentos estão aumentando e os preços do cardápio continuam os mesmos, já que aumentar o preço diminuiria mais ainda a demanda dos clientes.

O publicitário Raul Holanda, 26, afirma que já deixou de comer em food trucks por conta do preço alto.
Foto: Arquivo Pessoal

O publicitário Raul Holanda, 26, afirma que já deixou de comer em food trucks por conta do preço alto. “Sempre que frequento food parks eu procuro os trucks que estão em uma faixa de preço que considero justa. Normalmente é entre 20 e 30 reais”. A maioria das pessoas também gosta de frequentar trucks diferentes cada vez que vai sair para comer, com outros estilos de comida, o que torna difícil o desenvolvimento do negócio com a alta concorrência, portanto, é necessário ter um diferencial para atrair a clientela de volta. “Eu procuro as novidades, na maioria das vezes. Mas tenho os meus preferidos”, afirma Raul. 

 

Encontrar um lugar para estacionar o truck também pode ser um problema, já que nem todas as cidades possuem regulamentação específica, achar um bom ponto fixo pode ser uma tarefa difícil e bem cara. Em 9 de Junho de 2016 foi sancionada em Fortaleza a lei 10.474, que dispõe sobre a comercialização de alimentos diretamente ao consumidor de modo itinerante, conhecidos como food truck, food bike e food cart. Existem alguns pontos fixos pela cidade, como o Imprensa Food Square e o Truckville, alguns particulares e outros em espaços públicos.

 

Custos e localização

Alguns lugares cobram pela energia elétrica e o gás separados, outros cobram o condomínio, por isso as despesas ficam maiores e podem variar entre 3 a 5 mil reais por locação em Fortaleza. Apesar de, a princípio, o food truck ser um restaurante móvel, a violência contribui para a porcentagem baixa de trucks nas ruas, como também a falta de acessibilidade, que é uma exigência cada vez maior. Por isso permanecer em um ponto fixo acaba se tornando mais em conta.

O proprietário do Arretado de Bom conta que no início, encontrar um ponto fixo para estacionar seu truck era muito difícil, e na maioria das vezes o preço do aluguel não permitia o resultado positivo dos lucros obtidos. “Era uma batalha, temos uma associação de food trucks e as vagas para a participação de eventos eram divulgadas lá pelo WhatsApp, os mais rápidos em confirmar ficavam com a vaga, tínhamos que ficar ligados direto”. Hoje o Arretado de Bom é fixo no Imprensa Food Square, uma praça de alimentação para food trucks a céu aberto. 

 

O Arretado de Bom é fixo no Imprensa Food Square, uma praça de alimentação para food trucks a céu aberto.
Foto: Arquivo Pessoal

Um comentário em “Crise econômica reduz garantia de sucesso dos food trucks

  • 13 de abril de 2019 em 22:11
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    Sempre fui empreendedora desde cedo e a franquia sempre foi o meu foco. Adoro conteúdo deste tipo muito obrigada!

    Vou compartilhar com meus amigos!

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