Cresce o índice de violência contra a população LGBT

por Rhuan de Castro

Cresce o número de mortes de LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) no Brasil. Dados divulgados em janeiro deste ano pelo GGB (Grupo Gay da Bahia) relatam que 2016 tornou-se o ano mais violento contra a população LGBT desde 1970. Foram registradas 343 mortes, o que faz do Brasil o país com maior taxa de crimes contra minorias sexuais.

Reconhecido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, o estudo mostra que ocorreram entre várias causas violentas, 195 mortes em vias públicas, 92 por tiro, 82 por facadas, 40 por asfixia e 25 por espancamento. O assassinato de gays lidera a lista com 162 casos registrados, seguidos dos travestis que tiveram 80 casos, transexuais femininas com 50 casos e transexuais masculinas com 13 casos. Os dados recebidos pela instituição são obtidos por intermédio de outras entidades, imprensa, familiares e amigos das vítimas.

A estatística só aumenta. Recentemente, o assassinato da travesti Dandara dos Santos chamou a atenção do estado do Ceará por conta da brutalidade pela qual a vítima foi submetida. Além dela, outros casos de homofobia também se fizeram presentes. Em São Paulo, o estudante Itaberlly Lozano foi encontrado morto. Segundo investigações, apontam para a mãe e o padrasto como os principais suspeitos de terem executado o jovem por não aceitarem sua homossexualidade. Na Bahia, Jeovan Bandeira e Edivaldo Silva foram carbonizados após um assalto. A polícia acredita que a homofobia pode ter sido um dos motivos que levaram a morte dos dois professores.

Em entrevista ao site Agência Brasil em dezembro de 2016, Luiz Mott, antropólogo fundador do GGB, explica os motivos que levam ao aumento desse violência. “Hoje, tem mais homossexuais e trans ‘saindo do armário’ por causa das paradas gays e outras campanhas. E isso os deixa mais expostos a situações de violência, o que levou ao aumento generalizado de crimes”.

“Hoje, tem mais homossexuais e trans saindo do armário por causa das paradas gays e outras campanhas; e isso os deixa mais expostos a situações de violência, o que levou ao aumento generalizado de crimes” (Luiz Mott)

O JornalismoNIC entrevistou alguns representantes dessas minorias. Bruno Cavalcante, 21, estudante de Audiovisual, acredita que a falta de informação é um dos principais fatores. “As pessoas não conseguem aceitar aquilo que para elas não é ‘normal’ e é do feitio do ser humano destruir aquilo que eles não entendem”.

“As pessoas não conseguem aceitar aquilo que para elas não é “normal” e é do feitio do ser humano destruir aquilo que eles não entendem” (Bruno Cavalcante)

Andressa Gonçalves, 19, estudante de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC), considera que “a gente vê, diariamente, notícias sobre crimes de ódio, algumas repercutindo amplamente, como o caso da Dandara. É muito triste saber que é preciso acontecer algo tão grotesco como o assassinato da Dandara para poder gerar comoção e empatia. Eu não estou reclamando da comoção, mas isso poderia ser evitado, tanto pra ela quanto para tantos outros LGBTs que vão morrer – a maioria não vai nem virar notícia – nas mãos da intolerância”.

“A gente vê diariamente notícias sobre crimes de ódio, algumas repercutindo amplamente – como o caso da Dandara. É muito triste saber que é preciso acontecer algo tão grotesco como o assassinato da Dandara para poder gerar comoção e empatia. Eu não estou reclamando da comoção, mas isso poderia ser evitado, tanto pra ela quanto para tantos outros LGBTs que vão morrer – a maioria não vai nem virar notícia – nas mãos da intolerância”. (Andressa Gonçalves)

Os discursos de ódio também se fazem presentes entre a população. Comentários como “Ninguém gosta de homossexual, a gente suporta”, “gays precisam de atendimento psicológico bem longe da gente” e “Instrua seu filho. Instrua seu neto. Aparelho excretor não reproduz” são disseminados pela mídia e redes sociais por alguns conservadores, políticos e “religiosos”. Andressa teme pelo progresso dos discursos de ódio. “O que um político fala é muito relevante. Me assusta muito, por exemplo, ver que o filho do Bolsonaro foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro, porque todo mundo sabe o quão preconceituosa e intolerante foi a criação dele e que ele perpetua isso com o discurso de ódio que ele prega. Ver que existem quase 107 mil pessoas que se identificam e concordam com a política intolerante e reacionária do Bolsonaro é uma coisa muito assustadora”, explica.

“O que um político fala é muito relevante. Me assusta muito, por exemplo, ver que o filho do Bolsonaro foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro, porque todo mundo sabe o quão preconceituosa e intolerante foi a criação dele e que ele perpetua isso com o discurso de ódio que ele prega”. (Andressa Gonçalves)

Além dos LGBTS, outras pessoas acabam se tornando vítimas do preconceito. O ambulante Luís Carlos Ruas foi espancado por dois homens na noite de natal de 2016 numa estação de metrô em São Paulo por defender moradores de rua e travestis. Apesar de se tratar da morte de um heterossexual, o GGB tratou o caso como LGBTfóbico. Em junho de 2012 na Bahia, José Leonardo e o irmão gêmeo, José Leandro, foram confundidos com um casal homoafetivo por caminharem abraços e foram espancados por cerca de oito pessoas. Leonardo faleceu no local por conta das várias pedradas que recebeu na cabeça.

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