Frequentes ataques de pânico podem ser sintomas de uma síndrome

Por Letícia Feitosa

Tontura, tremor, sudorese (constante transpiração), falta de ar e sensação de morte são algumas das manifestações de um ataque de pânico. Quando esses ataques são frequentes, é provável que seja um caso de síndrome do pânico. As crises desse transtorno podem acontecer em qualquer lugar e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2% a 4% da população tem a síndrome, sendo a maioria do sexo feminino.

O conceito de síndrome do pânico surgiu na década de 1980, quando cientistas começaram a perceber e estudar alguns casos extremos de ansiedade. Então, a A Associação Americana de Psiquiatria, do DSM III (Diagnostic and Statistical of Mental Disorders, third Edition – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 3ª ed.) oficializou a classificação diagnóstica de “síndrome do pânico”. Conforme pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), essa doença atinge mais adultos com idades de 18 a 29 anos, sendo um transtorno caracterizado por crises repentinas e intensas de medo.

Giulia de Castro sofre com a síndrome. Foto: arquivo pessoal.

Desde os 11 anos, Giulia de Castro, 19, sofre com ataques de pânico. A estudante de Letras diz que tudo começou quando foi assaltada no ônibus e, desde então, as crises foram constantes. “A sensação era como se eu tivesse acabado de levar um susto. As mãos trêmulas, o coração acelerado, um choro incessável e aquele pensamento de ‘Quero minha mãe. Tô em perigo’. Eu sentia um medo inexplicável de basicamente tudo. Tava sempre esperando que algo ruim acontecesse”, relata.

 

 

 

“A sensação era como se eu tivesse acabado de levar um susto. As mãos trêmulas, o coração acelerado, um choro incessável e aquele pensamento de “quero minha mãe. Tô em perigo”. Eu sentia um medo inexplicável de basicamente tudo. Tava sempre esperando que algo ruim acontecesse.” (Giulia de Castro)

O estudante de Biomedicina, Caio Bezerra, 19, teve a primeira crise aos 12 anos e diz que os ataques aconteciam a qualquer momento. “Já cheguei a acordar no meio da noite tendo um quadro de pânico e o que você sente no momento é uma angústia enorme”, lembra.  

“Já cheguei a acordar no meio da noite tendo um quadro de pânico e o que você sente no momento é uma angústia enorme” (Caio Bezerra)

Segundo a psicóloga Patrícia Barcelos Xavier, durante a crise, o corpo é inundado por noradrenalina (precursor da adrenalina), ativada pelo sistema nervoso. Isso provoca uma reação filogenética, que desperta uma conduta de luta ou fuga no corpo. É um ataque de medo ou desespero. O organismo se prepara para ser atacado. Os fatores que podem causar esse transtorno ainda são incertos, mas há hipóteses, como:

  • Situações de estresse na vida do indivíduo;
  • Fatores genéticos;
  • Acontecimentos conturbados na infância;
  • Uso excessivo de medicamentos e drogas;
  • Produção desequilibrada de neurotransmissores (substâncias responsáveis pela transmissão do estímulo nervoso entre as células cerebrais)

Como tratar?

A procura por um profissional de saúde mental é o mais recomendado, como psicólogo, psiquiatra, conselheiro de saúde mental e assistente social. Porém, o psiquiatra é o único que pode prescrever medicamentos.

Caio Bezerra lembra que, após uma conversa com a família, procurou ajuda de um psiquiatra e precisou tomar medicamentos. “Depois do primeiro mês eu já não apresentava mais quadros de pânico, mas mesmo assim o tratamento completo foi feito por 3 meses”, lembra.

Conhecer a doença também é importante para aprender a controlar o que ocorre com o corpo. Quando os ataques começaram, Giulia não compreendia o que estava acontecendo, e falta de informação sobre a doença só aumentava a frequente aflição. “Depois de anos de tratamento e de pesquisas eu aprendi a controlar  melhor [os ataques]. Eu procuro informações em artigos, converso com profissionais e com outras pessoas que têm o mesmo transtorno”, fala.

O preconceito com a doença pode ser uma barreira para a procura de tratamento. Muitos taxam algumas doenças mentais como besteira, e isso pode dificultar o pedido de ajuda de quem tem a síndrome. Giulia fala que esse preconceito existe e acontece com ela. “As pessoas sempre aparecem dizendo que é preguiça ou falta de Deus. E a maioria dessas pessoas é bem próxima, tipo parentes”, fala. Já para Caio foi mais fácil procurar tratamento, pois ele sempre teve o apoio da família e afirma não ter passado nenhum tipo de prejulgamento.

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