Casos de bullying crescem em todo o Brasil

por Rhuan de Castro

 

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, entre as crianças e adolescentes entrevistados, 46,6% já sentiram-se humilhados por conta de alguns colegas de classe. Um aumento de 11,3% desde 2012, ano no qual atingiu 35,3%. Dentre os principais fatores, a aparência pessoal é o principal alvo.

Bullying é um termo em inglês que descreve atos de violência psicológica ou física praticados por um indivíduo ou grupo de pessoas de forma continuada e intencional contra uma ou mais vítimas. Atualmente, essa prática é mais presente nas escolas e compromete o rendimento e socialização de estudantes por todo o mundo.

Heldair de Castro, 55, dona de casa, conta sobre a experiência que seu filho teve ao lidar com bullying. “Alguns dias após entrar na escola nova, meu filho passou a chegar em casa muito triste. Ele me pedia pra ficar com ele no colégio, mas nunca me falava o motivo. Após uma conversa, ele me disse que um grupo de meninos o ameaçava constantemente e ele temia por demais ir à escola”. A mãe ainda relata sobre a conduta do colégio diante da situação. “Eu recorri à diretoria inúmeras vezes para que fizessem algo a respeito, mas foi em vão. Por conta disso, eu mesma tive de ir ao colégio e falar com os meninos para pararem de importunar meu filho”.

“Alguns dias após entrar na escola nova, meu filho passou a chegar em casa muito triste. Ele me pedia pra ficar com ele no colégio, mas nunca me falou o motivo. Após uma conversa, ele me falou que um grupo de meninos o ameaçava constantemente e ele temia por demais ir a escola”. (Heldair de Castro)

Carolina Campos, 18, estudante de Jornalismo, lembra das intimidações que sofreu quando era criança. “Era mais nova, não sabia o que estava acontecendo. Eu não entendia o porquê disso estar acontecendo. Quando eu entrei no colégio, algumas garotas ficavam falando para os outros colegas que não falassem comigo. Eventualmente, passaram a roubar e riscar minhas coisas. Em uma das situações, me convidaram para conversar pela internet. Quando entrei, todos começaram a me xingar”.

“Quando eu entrei no colégio, algumas garotas ficavam falando para os outros colegas falarem comigo. Eventualmente, passaram a roubar e riscar minhas coisas. Em uma das situações, me convidaram para conversar pela internet. Quando entrei, todos começaram a me xingar”. (Carolina Campos)

Uma outra estudante universitária, de 17, que não quis ter a sua identidade revelada, também alega ter sofrido bullying. No seu caso, ela aponta a falta de atitude do colégio diante da situação. “No segundo colégio em que estudei, tinha um grupinho de meninos específicos que ficavam me xingando por conta do meu cabelo. Eram coisas complicados para uma criança ouvir. Eu chegava em casa chorando todos os dias e minha mãe ficava ligando pro colégio tentando resolver o problema. O colégio só me chamava para tentar me consolar, mas não chamava os alunos que me incomodavam. Isso não resolvia nada”.

“No segundo colégio em que estudei, tinha um grupinho de meninos que ficavam me xingando por conta do meu cabelo. Eram coisas complicados para uma criança ouvir”. (Ana Paula)

Muito além da infância

Os danos da intimidação, algumas vezes, acompanham as vítimas até a idade adulta. Uma pesquisa realizada por investigadores da Warwick University, no Reino Unido, em parceria com a Duke University, sugere que crianças que sofrem com bullying tem maior probabilidade de desenvolver problemas de saúde e dificuldade social na idade adulta. Entre as consequências da prática, o estudo aponta um aumento no risco de suicídio, depressão, mau desempenho escolar e baixa autoestima entre as vítimas da intimidação. Já para quem pratica, existe um grande risco de ter problemas de ansiedade, abuso, depressão e hostilidade, além do uso de substâncias.

“Ser intimidado não é um rito inofensivo de passagem ou uma parte inevitável do crescimento; tem graves consequências a longo prazo. É importante que as escolas, os serviços de saúde e outras agências trabalhem em conjunto para reduzir o bullying e os efeitos adversos relacionados a ele”, explica Dieter Wolke, professor do Departamento de Warwick de Psicologia, na própria publicação, na qual foram analisados mais de 4.026 participantes.

“Ser intimidado não é um rito inofensivo de passagem ou uma parte inevitável do crescimento; tem graves consequências a longo prazo. (Dieter Wolke)

Massacre de Realengo

Em 2011, o “Massacre de Realengo” chamou a atenção do Brasil e do mundo. No Rio de Janeiro,  Wellington Menezes de Oliveira, entrou armado em uma escola e tirou a vida de 12 adolescentes antes de cometer suicídio.  O autor do massacre havia sido aluno da mesma escola e teria sofrido com bullying, motivo pelo qual especula-se que o fez planejar o massacre. As famílias de todas as vítimas desenvolveram a “Associação dos Anjos de Realengo” com o intuito de lutar contra o bullying e evitar a formação de outros jovens que, assim como Wellington, acabam recorrendo a atitudes violentas diante da intimidação.   

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