O machismo propagado nos jogos online tem desmotivado o público feminino

Por Lígia Grillo

Você já passou por alguma experiência preconceituosa em jogos online? Os diferentes tipos de violência estão cada vez mais comuns nas comunidades de games, desde racismo até  machismo, muitos jogadores se sentem intimidados e desestimulados pela própria comunidade por conta desses acontecimentos. Apesar das mulheres já representarem 52,6% dos jogadores brasileiros, segundo dados da pesquisa Game Brasil 2016, realizada com 2.848 correspondentes, os assédios ainda são frequentes e podem ser denunciados.

Foto: Arquivo Pessoal

Juliana Carvalho, 20, estudante de Biomedicina, que no seu tempo livre, gosta de jogar jogos como “Call of Duty”, no PlayStation 3 (PS3), relata experiências negativas que teve em partidas online e como ela acha que o problema pode ser evitado. “Sempre que eu jogava só, tinha muito menino que gostava de falar que eu deveria sair do jogo porque era mulher. Até me falavam coisas de teor sexual mesmo, coisa bem pesada”, revela.  

Já Gabriel Oliveira, 24, professor de inglês cujo jogo favorito é “The Legends Of Zelda: Ocarina Of Time” relata que já presenciou situações violentas, desde assédio, racismo e até xenofobia. “Todos esses são fáceis de encontrar na maioria dos jogos multiplayer online, seja no League Of Legends, Counter-Strike e World Of Warcraft, já presenciei muito”. Ele também explica que isso acontece muito devido ao fato de que a pessoa que agride não está vendo a outra fisicamente. “A facilidade com que se comunica algo evoluiu com a internet, mas o senso de responsabilidade e ética não acompanhou, muita gente acha que está invulnerável atrás da tela”, conta.

 

Foto: Arquivo Pessoal

A maioria dos jogos disponibiliza ferramentas de denúncias para jogadores com conduta negativa, mas que não são tão efetivas pela facilidade de criar novas contas, principalmente em jogos gratuitos. ”Essas ferramentas podem até funcionar temporariamente mas não é definitivo porque um jogador tóxico, como a gente costuma chamar, pode voltar com outro ‘nickname’ (nome de usuário) e continuar fazendo as mesmas coisas”, conta Juliana.

Mesmo com a fiscalização das empresas de jogos, a violência online é muito frequente, principalmente com as mulheres. “Quando uma menina entra em uma ‘sala online’, os meninos caem em cima de várias formas, às vezes falam que ela tem que provar que é mulher, tem que mandar o Facebook e mostrar os peitos. Se ela joga bem, eles se juntam para dificultar o jogo dela” relata a mestranda em ciência da computação, Wanessa de Caldas, 29, cujo jogo favorito é a saga “Resident Evil”.

Influência do machismo na produção de games

O machismo tão frequente nos games é reproduzido pela maioria dos jogos, principalmente os antigos, onde a protagonista, na maioria das vezes é frágil e precisa ser salva pelo herói, ou é extremamente sexualizada e o estereótipo de que a mulher tem que ser o personagem coadjuvante é reforçado. Existem jogos que vão contra esse sistema imposto, como “Horizon Zero dawn” lançado recentemente. Wanessa conta que está desestimulada para jogar sozinha, devido aos assédios frequentes. “Atualmente eu só jogo com amigos, e um dos motivos é esse, você não tem liberdade para curtir o game sem uma enxurrada de falatórios”.

Espera-se que futuramente a violência diminua e que todos possam jogar livremente sem passar por situações desagradáveis. “As mulheres estão cada vez mais participando de competições, ganhando destaque, conquistando primeiros lugares e essa imagem de que jogos são uma atividade para homens futuramente irá desaparecer”, ressalta.

 

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