“Trainspotting” mistura humor negro, drama e muita heroína

Por Matheus Miranda

Polêmico. Esse já seria um adjetivo que resumiria muito bem essa obra do cineasta e produtor britânico Danny Boyle, baseado no livro homônimo do roteirista e dramaturgo John Hodge, de 1993. Aclamado pela crítica e logo tido como um dos filmes mais admirados dos anos de 1990, ‘‘Trainspotting – Sem Limites’’ também teve que enfrentar severas críticas, ao ser acusado de incentivar a violência e uso de drogas.

O filme é todo narrado na cidade de Edimburgo, capital da Escócia, sob a perspectiva de Mark Renton (Ewan McGregor), que relata a sua amizade com Spud, Sick Boy, Tommy e o alcoólatra Begbie. A relação do grupo é regada a muita festa e uso excessivo de heroína, uma droga que acarreta um efeito nefasto efeito na vida de cada um.

Apesar das várias tentativas de abandonar a droga, Renton sempre acaba voltando ao círculo autodestrutivo. Nesta busca desenfreada por prazer, os amigos vivem cometendo  furtos, tráfico, prostituição e violência. E o provável final deles pode não ser tão agradável quanto eles planejam.  

Tentando despir-se ao máximo de qualquer moralismo, o diretor Danny Boyle consegue mostrar o lado sombrio do mundo das drogas. O diretor mostra sem rodeios o perverso caminho para o qual um vício pode nos puxar, sempre nos fazendo crer que, para cada escolhas que façamos, o resultado dela pode vir de maneira extremamente pesada.

O filme em 1997 foi indicado ao Oscar por Melhor Roteiro. Foto: reprodução.

No decorrer do filme, a gama de sentimentos que chega até nós é variada. Do nojento para o asqueroso, do repulsivo para o explícito. Boyle não quer brincar com entrelinhas. Tudo é atirado (e com força!), para toda uma sociedade julgar. A trilha sonora compõe o efeito que faltava para o desenrolar dos acontecimentos dessa montanha-russa de apreensões que funciona perfeitamente para a vibração que o longa se sustenta, assim como a montagem tão frenética, as referências cults que dominaram a década de 1990.

É uma obra-cinematográfica necessária para bons debates e sobre a reflexão de que como devemos viver as nossas vidas, sem precisar da opinião da sociedade ao nosso redor. Trainspotting foi indicado ao Oscar, em 1997, pela categoria de “Melhor Roteiro Adaptado” e, depois de 20 anos, o longa vai ganhar uma continuação com os mesmos personagens e o mesmo elenco. A história do livro ‘‘Porno’’, de Irvine Welsh, será a base para a trama do novo filme que foi lançado aqui no Brasil em 17 de Março passado.

 

Ficha técnica

Gênero: Drama

Direção: Danny Boyle

Produção: Andrew Macdonald

Roteiro: John Hodge

Duração: 94 minutos

Classificação: 18 anos

Ano: 1996

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