Paralisia do sono é um distúrbio pouco conhecido

Por Letícia Feitosa

Se já acordou no meio da madrugada e não conseguiu se mexer, pode ser que sofra do que se chama de paralisia do sono. É quando se acorda e, mesmo consciente, a pessoa fica impossibilitada de movimentar seu corpo. Este é um distúrbio crônico muito comum estudado pela medicina do sono. Segundo pesquisa médica feita pelo Google no início de 2017, apenas no Brasil, há mais de 2 milhões de casos por ano. De acordo com o Hospital Albert Einstein, a paralisia ocorre mais em pessoas com narcolepsia ou apneia do sono e, geralmente, é diagnosticada pelo próprio paciente. O distúrbio não tem tratamento, porém não provoca nenhum risco de vida a quem o tem.

As paralisias são, muitas vezes, acompanhada de alucinações. Foto: reprodução

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), das 40% das pessoas que têm dificuldade para dormir, 8% sofre com paralisia do sono. E, segundo a médica Dorothy Zavarezzi, do Instituto Brasileiro do Sono, a paralisia acontece mais em quem tem uma rotina estressante. Ocorre antes de pegar no sono, ou logo depois de acordar, e pode durar até cinco minutos, sendo muitas vezes acompanhada de alucinações. A pessoa não consegue se mover nem falar, mas, algumas vezes, exerce um controle mínimo sobre algumas partes do corpo, como a boca, as mãos e os olhos.

O sono tem duas fases, REM (sigla do inglês Rapid Eye Movement, em tradução livre “movimento rápido dos olhos”), um estágio do sono no qual a atividade cerebral é mais rápida, e o não-REM, quando é mais lenta. Essas duas fases ficam se alternando durante o sono. A paralisia temporária acontece quando a pessoa desperta durante o REM, etapa do sono na qual os sonhos estão mais nítidos e quando o cérebro bloqueia os neurônios motores para que o corpo não tente imitar os movimentos dos sonhos, fenômeno chamado de antonia muscula.

Alucinações

As alucinações são comuns em quem sofre com a paralisia do sono. Williams Almeida, 57, corretor de imóveis, sofre com esse distúrbio desde muito novo. Ele conta que sofre a paralisia do sono a cada seis meses e, em todas, ele afirma sentir uma presença no quarto. “Acordo com uma sensação de que alguém está do meu lado e, quando tento me virar para olhar, não consigo mexer o meu corpo nem falar. Então, eu sinto um arrepio grande. Isso dura pouco tempo, mas parece uma eternidade”.

“Acordo com uma sensação de quem alguém está do meu lado e, quando tento me virar para olhar, não consigo nem mexer o meu corpo, nem falar. Então, eu sinto um arrepio grande. Isso dura pouco tempo, mas parece uma eternidade” (Williams Almeida)

Não se sabe ainda o que causa as alucinações. Umas das hipóteses é que o cérebro, no decorrer da paralisia, tem dificuldade de distinguir o que é sonho e o que é realidade, e acaba reproduzindo elementos do sonho. E outra suposição é que, por causa da imobilidade, a pessoa fique assustada e tenha uma ilusão de que exista uma presença ou algo sobrenatural acontecendo. Dentre os diversos relatos, há quem diga ter tido visões, sentido algo pesado em cima do corpo, ter escutado sons estranhos ou até mesmo ter tido a sensação de levitar.

O documentário “O Pesadelo” retrata histórias de pessoas que passaram por esse tipo de experiência. No filme, dirigido por Rodney Ascher, há relatos e simulações de cenas de indivíduos que alegam ouvir vozes, choros e ver sombras durante o período de imobilidade. Ascher, em entrevista ao programa do Fantástico, da Rede globo, disse que ele mesmo sofre com esse distúrbio e que o objetivo do documentário é mostrar como é a experiência da paralisia do sono para quem nunca passou por isso.

 

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