A busca pelo parto humanizado e seus benefícios

Por Letícia Feitosa

Inúmeras mães estão optando pelo parto humanizado, um procedimento que tende a respeitar o processo natural do nascimento e a manter o mínimo de intervenções médicas ou condutas que podem comprometer a vida do bebê e da mãe. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), “Humanizar o parto é um conjunto de procedimentos que promovem o parto e o nascimento saudáveis, pois respeita o processo natural e evita condutas desnecessárias ou de risco para a mãe e ao bebê”.

A cesariana ainda é o tipo de parto mais realizado no Brasil. Conforme dados do Ministério da Saúde, 84% dos nascimentos da rede privada são cesáreas, sendo que a porcentagem recomendada pela OMS é de apenas 15% de partos cesáreos por ano. Como qualquer cirurgia, a cesárea pode trazer riscos para a mãe e para o bebê, além dos perigos na hora da cirurgia. Um estudo feito pela American Journal of Obstetrics and Gynecology apontou que o parto cesárea é o mais perigoso e o mais propenso a causar óbitos maternos. O parto humanizado, então, tornou-se uma alternativa para quem deseja um procedimento com menos riscos.

Os princípios do parto humanizado surgiram no início de 1970, quando o médico francês da Clínica Obstétrica da Faculdade de Medicina da Universidade de Paris, Frederick Leboyer, começou a questionar, em sua obra “Por um Nascimento Sem Violência”, o excesso da intervenção médica no processo de nascimento. Então, aos poucos, criou-se o conceito de humanização do parto.

Infografia: Letícia Feitosa

Esse procedimento pode ser realizado na residência da gestante, em alguns hospitais ou em casas especializadas. No processo,  as etapas naturais do parto são priorizadas. Michelly Torres, 22,  técnica em Gerência em Saúde, fala que o parto humanizado foi  criado para incentivar as mulheres sobre o parto normal. “A mulher pode escolher a posição do parto, a menos desconfortável para ela. Também são oferecidos massagens, músicas, atividades que ajudam no momento, depende do profissional que a atender”, conta.

Lorenna Garcia, 32, é mãe de duas meninas, e ambas nasceram por intermédio do parto humanizado. Os procedimentos foram feitos na Maternidade Escola, em Fortaleza. “A minha preferência pelo parto humanizado foi pelo bem estar das bebês, minhas duas filhas. A recuperação foi muito rápida”, lembra. Para ela, o principal ponto do parto humanizado é deixar a natureza agir. “Se eu tiver um terceiro parto, com certeza será humanizado”, afirma.

“Se eu tiver um terceiro parto, com certeza será humanizado” (Lorenna Garcia)

Barbara Salvaní, 28, mãe de Flora, de 2 anos, sempre teve interesse em ter um parto sem procedimento cirúrgico, devido ao incentivo da mãe. Após pesquisar sobre o assunto, decidiu recorrer ao processo do parto humanizado. “Eu passei meu trabalho de parto em casa com uma doula e o meu marido. Escolhemos ir ao hospital  apenas quando as dores estivessem bem intensas. Fui respeitada quanto às posições, aos movimentos e não sofri episiotomia (incisão feita na mulher para apliar o canal do parto)”, relembra. Para Barbara, essa experiência foi importante tanto para ela quanto para filha. “Ela [a filha] escolheu a hora de nascer. Pude cuidar dela. Pois se eu estivesse operada precisaria de ajuda”, explica.

Após sua gestação, Barbara resolveu ser doula. Formou-se em 2014 pelo DONA International, primeira organização de certificação de doulas, e em 2015 pelo  Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA). “Durante minha gestação tive uma doula a qual me ajudou muito com informações. E com isso vi que poderia ajudar mulheres nessa jornada, que é a gestação”, relata.

O trabalho da doula

Ilustração: The Mandala Journey

As doulas são as profissionais que dão suporte às grávidas na hora do parto, tanto físico quanto emocional. Barbara Salvaní faz parte do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA) desde 2015 e foi a primeira doula a trabalhar no Hospital César Cals, em Fortaleza.Eu decidi me tornar doula por admiração ao trabalho delas”, fala. Barbara diz que a presença da doula em um parto humanizado é fundamental. “Utilizamos métodos não farmacológicos para aliviar a dor, como massagens, rebozo (xale de algodão), bola e compressas. Estamos ali para apoiar a decisão da gestante, sempre reforçando o desejo dela”, conta.

 

“Utilizamos métodos não farmacológicos para aliviar a dor, como massagens, rebozo, bola e compressas. Estamos ali para apoiar a decisão da gestante, sempre reforçando o desejo dela” (Bárbara Salvaní)

De acordo com Monique Lima, 30, pós-graduada em Saúde da Mulher e doula pela DONA International e GAMA/SP, o trabalho da doula pode iniciar ainda no planejamento familiar e percorrer a gestação, o nascimento e o pós parto. “O parto humanizado é o nascimento, independente da via vaginal ou abdominal, que respeita o binômio mãe-bebê, pautado sempre no protagonismo e na autonomia da mulher. Assim, a doula oferece apoio emocional, físico e informativo, colaborando para esse nascimento”, explica.

“O parto humanizado é o nascimento, independente da via vaginal ou abdominal, que respeita o binômio mãe-bebê, pautado sempre no protagonismo e na autonomia da mulher. Assim, a doula que oferece apoio emocional, físico e informativo, colaborando para esse nascimento” (Monique Lima)

Grupos no Facebook, como o Parto Normal em Fortaleza (PNF), fortificam uma comunidade de mães que compartilham informações online. O PNF tem cerca de 13.500 membros e foi o primeiro grupo virtual do Ceará voltado à discussão do parto natural. Priscilla Rabelo é doula e fundou o grupo em 2013. “Somos a favor de partos naturais, saudáveis, respeitosos e felizes, contra a violência obstétrica e alertamos sobre os riscos das cesáreas sem real indicação clínica”, explica em nome do grupo.

“Somos a favor de partos naturais, saudáveis, respeitosos e felizes, contra a violência obstétrica e alertamos sobre os riscos das cesáreas sem real indicação clínica.” (Priscilla Rabelo)

 

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