Imigrantes vivem com medo e incerteza nos EUA

Por Matheus Miranda

O republicano Donald Trump, o novo presidente eleito dos Estados Unidos, é conhecido pelo seu temperamento explosivo e por declarações polêmicas. Sem experiência política em sua vida, o empresário bilionário, de 70 anos, conseguiu impor uma amarga derrota à ex-primeira-dama e ex-secretária do Estado Americano, Hillary Clinton, nas eleições do ano passado.

Com discursos centrados para superar as frustrações e inseguranças dos americanos em um mundo que nas últimas décadas vem sofrendo fortes transformações, tornou-se a voz da mudança para milhões deles. Trump não só venceu as eleições e se tornou presidente da maior potência do mundo, como também o partido republicano terá a maioria do Congresso ao seu favor e abrindo caminho para uma série de propostas que podem ou não, se tornar realidade.

Uma de suas propostas de governo em seus discursos na pré-candidatura está relacionada aos imigrantes e à construção de um muro para barrar a entrada de estrangeiros. Tanto o ex-presidente Barack Obama quanto Hillary Clinton, apoiavam reformas no sistema de imigração americano, que dariam a cidadania a imigrantes ilegais que hoje vivem nos Estados Unidos.

Mas, com base no que foi dito pelo republicano durante a sua campanha, vem dividindo opiniões nas redes sociais e também aos imigrantes que vivem em solo americano. Inflamando ainda mais as polêmicas que marcaram, desde o começo, quando Trump assumiu a posse de presidente dos Estados Unidos.    

Imigração dificultada

Trump declarou publicamente que pretende deportar mais de 11 milhões de imigrantes ilegais e barrar totalmente a entrada de muçulmanos no território americano. Sua promessa de construir um muro na fronteira com o México gerou bastante revolta entre parte da comunidade hispânica no país. A vendedora de cosméticos Dayana Albuquerque, 30, que mora há nove anos em Miami no estado da Flórida, criticou a forma de governar do novo presidente e suas propostas de governo.

‘‘Ele é racista, louco e desesperado. Um pesadelo para qualquer imigrante, com essa visão ignorante de que nós, estamos aqui para roubar o emprego do americano’’, afirmou Dyana que deixou a pequena cidade de Pato Branco, Paraná, e mudou-se com as suas duas filhas para os Estados Unidos, em busca de uma vida melhor para a sua família.

A vendedora de cosméticos acrescenta que, apesar de estar ilegal em Miami, garante que paga os seus impostos e sonha, um dia, regularizar a sua situação. Porém, com essa nova política que o presidente está ameaçando pôr em prática, não só a prejudicará de se regularizar como cidadã americana, mas também amplia os riscos de que a família toda tenha que deixar os EUA. Dayana não esconde a sua preocupação. ‘‘O medo é que ele seja desequilibrado e passe a perseguir imigrantes, tratando todo mundo como criminoso’’, afirma.

Repúdio aos imigrantes

Trump declarou publicamente que pretende deportar mais de 11 milhões de imigrantes ilegais e barrar totalmente a entrada de muçulmanos no território americano. Foto: reprodução.

O Centro para Estudos de Imigração (CSEM Brasil) divulgou dados acerca de números de imigrantes nos Estados Unidos, afirmaram que por ano cerca de 1,2 milhão de pessoas chegam ao território norte americano. Hoje, cerca de 10% da população do país é composta por imigrantes, número elevado, tendo em vista que a última vez que tal fato ocorreu foi no final do século XX, poucas décadas antes da Segunda Guerra Mundial.

De acordo com estimativas, o número de imigrantes (legais e ilegais) que vivem nos Estados Unidos é de aproximadamente 28 milhões de pessoas, em 1930 essa parcela da população era de três vezes menor. Para o economista Francisco Muniz, 48, o novo presidente dos Estados Unidos chegou tão longe por tocar no ‘‘orgulho americano’’. ‘‘Os americanos tem um certo preconceito com os imigrantes, e essa postura do Trump só aumenta o repúdio’’, avalia Muniz, que viveu  nos EUA há dois anos.

‘‘Os americanos tem um certo preconceito com os imigrantes, e essa postura do Trump só aumenta o repúdio’’ (Francisco Muniz)

Muniz também ressaltou que a ascensão do magnata entre republicanos revela uma xenofobia presente em várias partes dos Estados Unidos. Com Trump, ele disse, que essas pessoas se sentem ‘‘à vontade para se expressar’’. Para quem vive em solo americano onde a retórica antimigratória encontra mais eco, o temor é ainda mais latente, como no estado do Texas, considerado reduto republicano.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php