Aumenta visibilidade na mídia de personagens LGBTQ

 Por Rhuan de Castro

Sejam em novelas, séries ou desenhos animados, personagens LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e queer) estão adquirindo seu espaço e visibilidade nos meios de comunicação. De acordo com estudo realizado pela GLAAD (Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação), referente à temporada 2016-2017, dos 895 personagens regulares de séries produzidas pelas emissoras abertas dos EUA, 43 deles (4,8%) se identificam como LGBTQ.

Personagens populares de canais de streaming. Foto: Reprodução

Entre as emissoras a cabo e streaming, não é diferente. A pesquisa aponta que os canais pagos possuem 142 personagens LGBTQ registrados entre os recorrentes, e os sites de streaming totalizam 65. Em ambos os casos, os números são maiores em relação aos anos posteriores. Contudo, o relatório também destaca a forte predominância de personagens brancos.

Em declarações publicadas pelo O Globo, na edição do dia 03 de novembro, Sarah Kate Ellis, presidente da GLAAD, falou sobre relevância desse aumento. Para ela, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que esta comunidade seja mais representada. “Apesar do animador progresso feito pela representação LGBTQ, é importante lembrar que os números são apenas parte da história, e que nós precisamos continuar a fazer pressão para que sejam feitos mais retratos dessa comunidade”, afirma.

“Apesar do animador progresso feito pela representação LGBT, é importante lembrar que os números são apenas parte da história, e que nós precisamos continuar a fazer pressão para que sejam feitos mais retratos dessa comunidade”. (Sarah Kate Ellis)

Alguns telespectadores defendem a importância da presença destes personagens na mídia. É o caso de Raiane Oliveira, 20, auxiliar administrativa. Para ela, essa visibilidade oferece uma nova perspectiva aos telespectadores sobre o tema. “Eu acredito que é muito importante a presença LGBT, pois através de novelas, filmes e séries, as pessoas podem desmistificar as impressões que têm. Muitas pessoas ainda vêem os homossexuais como monstros ou pessoas ruins”, explica.

Heldair de Castro, 55, dona de casa, tem uma opinião semelhante sobre o tema. “Eu não tenho problema algum com isso. Eu acho que todos deveriam pensar assim, pois todos somos iguais. Tenho amigos que são gays. Eles são professores, inclusive da área da saúde, católicos, e gosto que eles estão ganhando essa visibilidade. A presença deles [LGBTQ] na televisão, ajuda contra o preconceito que ainda é muito presente no mundo. Tem tanta coisa ruim acontecendo no mundo e as pessoas ainda se incomodam com a sexualidade dos outros”.

“A presença deles [LGBTS] na televisão, ajuda contra o preconceito que ainda é muito presente no mundo. Tem tanta coisa ruim acontecendo no mundo e as pessoas ainda se incomodam com a sexualidade dos outros”. (Heldair de Castro)

Desenhos animados
Programação infantil também apresenta seus personagens LGBTQ. Foto: Reprodução

Também no segmento das animações estão crescendo essa visibilidade. O canal infantil Nickelodeon apresentou seu primeiro casal gay masculino em um dos episódios do desenho animado “The Loud House”. O canal Cartoon Network disponibiliza esse tema para os adolescentes através do desenho “Hora da Aventura”, cuja narrativa oferece alguns trechos relacionados à questão de gênero. O autor da série, Pendleton Ward, já declarou que as duas personagens femininas, Marcelline e Princesa Bubblegum, foram namoradas. No final da série “Avatar: A lenda de Korra” é insinuado um romance entre a protagonista e outra garota chamada Asami. Em um artigo recente, os autores da série, Mike DiMartino e Bryan Konietzko, confirmaram esse romance.

Nos desenhos japoneses, a história não é diferente. “Sailor Moon”, um mangá que tem a animação produzida pela Toei Animation, possui uma ampla narrativa com personagens diferentes, entre eles, Haruka e Michiru, duas guerreiras que formam um casal. No anime “Cavaleiros do Zodíaco”, os fãs ficaram curiosos em relação à sexualidade de um dos protagonistas. Shun, um dos cinco personagens principais apresentava uma armadura rosa com “seios”. Diante dessa situação, Yosuke Asama, produtor da animação, se pronunciou em entrevista ao G1, na edição de setembro de 2014: “Não o fizemos homossexual, mas com sexualidade indefinida. Shun é um rapaz bonito, gentil e educado que dá valor à amizade. Queremos que a nova geração veja como é aceitar quem é diferente”, afirma.

“Queremos que a nova geração veja como é aceitar quem é diferente”. (Yosuke Asama)

Polêmicas pelo Brasil

A visibilidade de LGBTs na mídia ainda é um tabu diante da sociedade. O Brasil foi palco de protestos contra a presença desses personagens em programas televisivos. Veja, a seguir, alguns deles:

Infografia: Rhuan de Castro

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