Quando o medo é posto a prova

Por Gustavo Machado e Matheus Miranda

O medo é um sentimento comum a todas as espécies de animais e serve para proteger-nos do perigo. Todos nós, temos aflições em situações nas quais ameaças são iminentes. A fobia pode ser definida como um medo irracional diante de uma situação ou objeto que não apresenta qualquer perigo para a pessoa. Com isto, esta situação ou esse objeto são evitados a todo custo.

Essa reação fóbica leva com muita frequência a limitações importantes na vida cotidiana da pessoa. As fobias são acompanhadas de ansiedade e, em algumas ocasiões, podem levar à depressão. Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 10%  da população mundial convivem com esse mal, sendo a maioria do sexo feminino.

De qualquer forma, o medo sentido por pessoas que tenham esse problema é completamente diferente da ansiedade que é natural em todos os seres humanos. Por si só, o medo é uma reação psicológica e fisiológica que surge em resposta a uma possível ameaça ou uma situação de perigo. Já a fobia não segue uma lógica propriamente dita, independe do perigo real.

Transtorno de Ansiedade Social

A fobia social pode ser caracterizada por medo, nervosismo ou apreensão que algumas pessoas sentem na interacção com outros indivíduos. Essa ansiedade social inibe e constrange, por conta da sensação de que possa acontecer algo de humilhante ou embaraçoso durante o contato social.   

A estudante Marina Gonçalves, 18, sofre com esses problemas há vários anos. ‘‘Desde os meus 13 anos percebi que, quando alguém, durante uma conversa, me põe em uma situação constrangedora ou de observação, tenho algumas reações incômodas que se agravaram com o passar dos anos. Não me considero tímida. O meu problema é que me sinto desconfortável em algumas ocasiões do dia a dia, como, por exemplo, quando o apagador do meu professor desapareceu. Ele perguntou para os meus amigos sobre o ‘paradeiro’ e a única que pareceu mentir fui eu, devido às minhas relações de ficar vermelha, roendo as unhas e tentando desviar as atenções de mim’’.

‘‘Desde os meus 13 anos, percebi que, quando alguém, durante uma conversa, me põe em uma situação constrangedora ou de observação, tenho algumas reações incômodas que se agravaram com o passar dos anos’’. (Marina Gonçalves)

Conforme o  Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPQ-USP), a idade em que começa a se manifestar de forma geral a fobia social é entre o final da adolescência e início da idade adulta, cerca de 15 a 21 anos, enquanto a fobia social específica tende a aparecer anos mais tarde.

Behaviorismo

Segundo a psicóloga Ana Cristina Rocha, 45, a convivência com pessoas com algum tipo de fobia pode influenciar outras a terem o mesmo problema. “Existem vários tipos de fobias estimulados por fatores externos, como a acrofobia [medo de altura], a aracnofobia [medo de aranhas], agorafobia [medo de altura], dentre vários outros medos”, explica.

O behaviorismo, ramo da psicologia que estuda o comportamento humano, pesquisa maneiras de tratar estes problemas relacionados à fobia. Pacientes são estudados para constatar se as medidas estão surtindo efeitos. “As terapias, dentro das  fisioterapias comportamentais-cognitivas, são maneiras para fazer os pacientes serem expostos aos estímulos, a condicionamentos, o enfrentamento, a pessoa supera e amenizam essas situações de fobia”, relata.

Contudo, alguns casos de medos são severos e a solução é encontrada na medicina. Com a colaboração de psiquiatras e psicólogos, remédios ansiolíticos são prescritos para controlar a ansiedade das fobias. Neste caso, a utilização de remédios é para o paciente poder viver normalmente, sem se preocupar com as suas fobias.

 

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