Arte em tecidos atrai geração Y

por Letícia Feitosa

A produção de tecidos feitos à mão está se tornando atrativa aos jovens. De acordo com um estudo feito pelo conselho nacional sobre artesanato dos Estados Unidos, o Craft Yarn Council, o tricô e o crochê, agora, são praticados por um terço das mulheres entre 25 e 35 anos. Muitos jovens se interessam por essas técnicas a fim de complementar alguma renda, mas a maioria é atraída pelo prazer que a atividade traz. Seja na prática do crochê, do tricô ou do bordado, a geração Y (nascidos entre os anos 80 e 2000) mostra que a tradição pode coexistir com a contemporaneidade.

O ponto cruz é uma das técnicas utilizadas no bordado. Foto: reprodução

O fenômeno parece também estar presente no Brasil. Lúcia Ferreira, 73, é professora de bordado no Espaço Jornada Criativa, em Fortaleza. De acordo com Lúcia, atualmente há mais jovens nas aulas. “As turmas são mescladas. Uma parte é de jovens universitários de 19 a 25 anos e a outra é de pessoas de idade avançada”, conta. Hoje, além de cursos presenciais em instituições especializadas no ensino da arte manual, a internet surgiu como meio alternativo rápido para instruir as técnicas destas práticas tão tradicionais. Wagner Reis, 30, aprendeu  a bordar ponto cruz, uma das técnicas do bordado, aos 12 anos. Em 2012, Reis criou um canal no YouTube no qual compartilha dicas e tutoriais do bordado ponto cruz e crochê.

Diferente das alternativas citadas acima, há quem busque aprender por outros métodos. Daniele Barreto, 27 anos, é estudante de Arquitetura e Urbanismo na Faculdade 7 de Setembro e aprendeu a bordar com a ajuda de sua vizinha, quando tinha 14 anos, mas apenas em 2014 é que a jovem decidiu fazer do bordado um hobby. Ela quis aprender a técnica quando observou uma senhora na rua. “Fiquei curiosa ao ver uma mãe de um amigo sentada na calçada, concentrada. Foi aí que fiquei interessada em saber como aquilo [bordar] proporcionava, aparentemente, tanta paz”, relembra.

“Fiquei curiosa ao ver uma mãe de um amigo sentada na calçada, concentrada, e foi aí que fiquei interessada em saber como aquilo [bordar] proporcionava, aparentemente, tanta paz” (Daniele Barreto)

Bordado feito pela estudante de Design de Moda, Thaís Soares. Foto: arquivo pessoal

Em 2015, Daniele fundou uma loja online e página do Facebook . “O bordado pra mim era só um hobby mesmo, mas foi esse ano [2016] que decidi viver disso e tem gerado uma renda até boa”, explica a jovem. A loja vende apenas produtos autorais e de arte manual.

Mas há quem pratica estas técnicas apenas com fins recreativos, como é o caso da estudante de Design de Moda da Universidade de Fortaleza, Thaís Soares. A jovem de 20 anos inspirou-se nos bordados da tia e decidiu aprender as técnicas. “Aprendi sozinha, tenho umas apostilas sobre bordado e vi alguns vídeos”. Para ela, bordar serve como uma terapia. Lucas Honor, 19, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Ceará, faz crochê apenas por diversão, mas pretende criar produtos para vender e complementar renda. Honor aprendeu recentemente as técnicas do crochê, com a ajuda de tutoriais na internet. “Comecei há mais de um ano, quando quis uma peça de roupa que tinha visto pelas redes sociais. Ao invés de procurar comprar, decidi aprender a fazer”, relembra.

 

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