Escassez de água no Ceará preocupa

Por Rhuan de Castro

A crise hídrica em que se encontra o estado do Ceará há cinco anos, já afeta 104 municípios, segundo o Ministério da Integração Nacional. Somados aos 46 municípios que já se encontravam em situação crítica reconhecida pelo Governo Federal, o estado se encontra com 81% de suas cidades em situação de emergência.

Açude Castanhão está com o nível mais baixo desde sua inauguração. Foto: Reprodução

De acordo com pesquisa feita pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), desde 1910, o Ceará não passava por uma seca tão prolongada e tão grave como a dos últimos cinco anos. O levantamento teve como base os volumes de chuvas dos últimos 100 anos. Antes dessa estiagem, apenas as secas de 1979 a 1983 haviam sido tão severas. A média anual de chuvas registrada na época foi de 566 milímetros (mm). De 2012 a 2016, a média caiu para 516 mm. O cenário de estiagem já atinge 55% do território cearense.

Eveline Salgado, professora de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos, explica sobre os fatores que contribuem para a escassez no estado. “Nós moramos muito próximos à linha do equador, então a gente recebe muita radiação solar e tem alguns fenômenos meteorológicos que influenciam indiretamente nessa seca no Nordeste. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, todos os anos nós temos 60% de probabilidade ser um ano seco. E, aí, dependem de alguns fatores e eventos meteorológicos”.

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A professora defende a necessidade da educação ambiental. Para ela, a conscientização da população é de grande importância e que, apesar das propagandas elaboradas pela Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) e o Governo do Estado, a redução do consumo ainda não é efetiva. “Estivemos na Cagece e eles estão muito preocupados. Fomos no açude Gavião, o qual  manda água para Fortaleza, Maracanaú, Caucaia. E lá, a situação tá muito difícil. Por que não temos essa consciência de economia de água? Porque em Fortaleza temos água em todos os momentos, mas no interior a realidade é totalmente diferente”.  

“Fomos no açude Gavião, o qual  manda água para Fortaleza, Maracanaú, Caucaia. E lá, a situação tá muito difícil. Por que não temos essa consciência de economia de água? Porque em Fortaleza temos água em todos os momentos, mas no interior a realidade é totalmente diferente”. (Eveline Salgado)

Em entrevista ao Diário do Nordeste no dia 21 de novembro, Raul Fritz, meteorologista da Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos), explica que o avanço da estiagem no Nordeste já era esperada por conta da distribuição mensal de chuva no mês de outubro ter sido inferior a 75 mm, em boa parte da região. “Em algumas áreas, como no norte do Maranhão, centro-norte do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e no extremo norte da Bahia, os índices pluviométricos são inferiores a 25 mm. Sendo a pior situação a de Pernambuco, onde 90% do território registra nível excepcional”.

“Em algumas áreas, como no norte do Maranhão, centro-norte do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e no extremo norte da Bahia, os índices pluviométricos são inferiores a 25 mm”. (Raul Fritz)

Fritz explica que um dos fatores contribuintes para os problemas no estado do Ceará são as irregularidades das precipitações, ou seja,  chove muito em uma região e em outra não. O especialista ainda indica que serão necessários dois meses de chuvas constantes, dentro da média histórica de 200 mm/mês, acrescentando no bimestre 450 mm, para que o Ceará alcance o chamado nível de segurança hídrica.

Economizar é a única saída

A água é um elemento essencial para a vida humana. Dos 75% de massas líquidas presentes no planeta Terra, apenas 3% desse total representa a água doce, ou seja, potável. Embora seu ciclo natural seja capaz de torná-la renovável, ele não muda o fato de que suas reservas são limitadas. Essa limitação tem trazido uma situação crítica e alarmante para diversas partes do mundo.

Diante dos diversos fatores que contribuem para essa escassez de água, como o uso desenfreado, chuvas abaixo da média, pouca água acumulada nos reservatórios (8,9% de sua capacidade), crescimento da população e o desenvolvimento de atividades econômicas, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) disponibiliza, em seu site, dicas para reduzir o desperdício de água:

Infografia: Rhuan de Castro

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