Cresce uso de substâncias da maconha com fins medicinais

por Letícia Feitosa

Em março de 2016, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a prescrição de medicamentos que contenham compostos da erva Cannabis sativa, como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), desde que seja apenas para tratamentos de saúde e para o uso próprio. A Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, é ilegal no Brasil para fins recreativos, mas seus compostos estão sendo úteis na fabricação de remédios e em tratamentos medicinais. Atualmente, o CBD é testado e aplicado, em alguns casos, no tratamento de Alzheimer, Parkinson e Epilepsia.

Os benefícios medicinais da cannabis é algo estudado pela comunidade científica, desde 1964. E, de acordo com a professora do curso de Farmácia, Fabiana Pereira, Soares, da Universidade de Fortaleza, não é a maconha em si que ajuda nos tratamentos, mas alguns de seus compostos ativos que são importantes na fabricação de remédios. “O uso [das substâncias da maconha] acontece só em casos extremos porque não é um tratamento convencional como outros. Só recorrem à maconha quando não tem outro recurso”, explica a professora. Ela também enfatiza que a planta só é utilizada para aliviar sintomas das doenças, principalmente de pacientes com câncer e epilepsia.

O canabidinol (CBD) é um dos compostos da maconha usados na medicina. Foto: reprodução

No início de novembro deste ano, uma família carioca conseguiu autorização da Justiça para cultivar maconha em casa. A erva era necessária para o tratamento de Sofia, de 7 anos, que contém Síndrome de Rett, que causa uma irregularidade no sistema neurológico. O canabidiol, composto da maconha, ajuda no controle dos efeitos da síndrome. Em entrevista ao portal de notícias G1, a mãe de Sofia, Margarette de Brito, afirmou que, após o início do tratamento com o CBD, as crises compulsórias da filha reduziram em 50%. A juíza Lídia Maria Sodré de Moraes também concedeu um habeas corpus para a família, a fim de evitar a prisão do casal por cultivar a erva em sua casa.

A planta já vem sendo utilizada na medicina brasileira nos últimos anos. No ano de 2014, o canabidiol começou a ser usado no tratamento de epilepsia em crianças e em adolescentes menores de 18 anos. O uso do composto foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina e apenas alguns neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras autorizados podem prescrever os medicamentos.

Em 2009, os efeitos das substâncias da maconha também foram testados por pesquisadores da Faculdade de Medicina, da USP de Ribeirão Preto, e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina para tratar doença de Parkinson, fobia social e até sintomas psicóticos da esquizofrenia. E, conforme o psiquiatra José Alexandre Crippa, que avaliou alguns desses testes, os parkinsonianos apresentaram uma redução dos tremores.

O que é Canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC)?

Os dois compostos da maconha mais utilizados na fabricação de medicamentos são o THC e o CBD.

Estes são dois dos mais de 400 compostos químicos da maconha. O CBD é um composto medicinal não-psicoativo da maconha. É uma substância que ajuda no tratamento de doenças ligadas ao sistema neurológico, segundo estudos científicos. E uma pesquisa feita por cientistas do Centro Médico Pacífico da Califórnia, em São Francisco, demonstrou uma eficácia do CBD para matar as células cancerosas.

O THC é uma substância psicoativa, é a responsável pelos sintomas da psicose, como as alucinações e os delírios. Foi um processo demorado para o tetrahidrocanabinol ser aprovado no uso medicinal. Na área da saúde, o composto é usado no tratamento de glaucoma, pois ajuda a diminuir a pressão  intraocular, segundo um estudo dos doutores Hepler and Frank, da Universidade da Califórnia.

Consumo da maconha

Países como a Holanda, Uruguai e alguns estados dos Estados Unidos legalizaram a maconha. Na Holanda, é permitido o uso da cannabis a partir dos 18 anos e a erva é vendida apenas em lojas específicas. No Uruguai, o Estado controla um limite de 40 gramas mensais para cada consumidor. E em vários estados dos EUA, como Califórnia e Nevada, a erva é legalizada para fins recreativos e medicinais.   

A Cannabis sativa é uma droga ilícita no Brasil, porém ainda é bastante usada no país. De acordo com uma pesquisa feita por profissionais da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, o Brasil tem 2,7 milhões de pessoas que consomem maconha de forma recreativa, ilegal. Entretanto, a droga vem sendo utilizada de forma medicinal em alguns casos.

Veja abaixo alguns problemas físicos que o uso exagerado da maconha pode causar, segundo o Doutor Pedro Saraiva Pinheiro, médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ):

– Taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos)

– Aumento de pressão arterial (em doses muito elevadas pode causar queda da pressão)

– Aumento da frequência respiratória

– Boca seca

– Aumento do apetite

– Letargia e redução dos reflexos

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