O movimento negro nos espaços cibernéticos

Por Letícia Feitosa

O movimento negro encontrou no território virtual uma maneira mais aberta de discutir temas como racismo, empoderamento negro, apropriação cultural, entre outros inúmeros tópicos pertinentes à militância da causa. Páginas do Facebook, como a Negritude e  a Afro Raiz, são exemplos do uso do espaço online para praticar o afro ativismo. As várias possibilidades para a militância online, como os portais e mídias digitais vem proporcionando, além do entretenimento, um ambiente propício ao debate e ao aprendizado.

Página Afro Raiz, discute a aceitação dos cachos de uma maneira politizada. Foto: Reprodução/Facebook

Em novembro de 2015, a jovem negra Luciana Araújo, 25, estudante de Audiovisual, criou a página “Negritude” no Facebook. De acordo com Luciana, o objetivo da página é mostrar a trajetória de mulheres negras em prol dos seus direitos na sociedade. Para ela, é importante que haja esse espaço nas redes sociais, porque “é uma forma de expandir o movimento [negro]”, conta.

Ciente de todos os benefícios da web para a construção de um debate mais aberto, a ativista Beatriz Rosa, 23, estudante de Pedagogia na Universidade Federal do Ceará, criou o grupo “Afro Raiz” para discutir sobre a estética da mulher negra, visando valorizar o cabelo crespo e cacheado. “Este conteúdo já vem sendo trabalhado por muitas youtubers, muitas blogueiras, mas pouco a questão política de você assumir o seu cabelo. E a gente [o Afro Raiz] já tenta fazer um trabalho de tentar politizar tudo isso”, explica.

Ana Paula Holanda, estudante de Ciências Sociais na Universidade Estadual do Ceará, também usufrui do espaço das redes sociais para lutar em prol da causa. Segundo a estudante a militância foi acontecendo gradativamente, enquanto ela se descobria como mulher negra. “Percebi a importância em falar e mostrar quem eu sou, o que eu quero e o que defendo”, fala. A estudante também afirma a força do espaço virtual para o movimento negro em si. “Acredito que a Internet é uma das formas que encontramos de nos fortalecer. Temos a oportunidade de ouvir e ver pessoas que estão longe, e a Internet proporciona esse encontro”, pontua a jovem.

“Acredito que a Internet é uma das formas que encontramos de nos fortalecer. Temos a oportunidade de ouvir e ver pessoas que estão longe, e a Internet proporciona esse encontro” (Ana Paula Holanda)

O debate sobre movimentos sociais em geral tornou-se comum em redes e em plataformas online. A internet é um espaço público capaz de permitir uma mobilização de militantes, os quais apropriam desse espaço para se comunicar e debater sobre uma variedade de assuntos que envolvem questões sociais. Djamila Ribeiro, pesquisadora feminista da Universidade Federal de São Paulo, em entrevista à TV Brasil, conta que a internet auxiliou na expansão do ativismo negro. Para a pesquisadora, a “mídia hegemônica”, como a TV, costuma invisibilizar as mulheres negras, por exemplo, e o espaço virtual é um local em que elas podem se encontrar. 

Confira alguns canais no YouTube que utilizam a plataforma para a militância: 

Infografia: Ravelle Gadelha.

Esse mês, o YouTube está produzindo o “YouTube Negro”, que consiste em vídeos diários que abordam temas relacionados ao movimento negro. Iniciado no último sábado (12), o projeto encerra no Dia da Consciência Negra, no próximo domingo (20). Veja o trailer a seguir:

 

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