Hollywood repete fórmulas de sucesso

Por Matheus Miranda

Vivemos em uma época em que tudo se desvanece muito rápido e, enquanto algo está fazendo sucesso hoje, semana que vem já será substituído. Os filmes não são uma exceção a essa regra. Hoje temos inúmeras franquias com os mais variados temas, desde super heróis tentando salvar o mundo, até romances sadomasoquistas. A ideia original de uma longa sequência de filmes é poder contar uma história maior, com mais detalhes e podendo explorar bem os personagens, porém acaba se tornando uma repetição da fórmula consagrada, apenas para obter o máximo de lucro nas bilheterias.

Há muito tempo o cinema deixou de ser apenas uma expressão cultural e artística para se transformar em um mercado extremamente rentável. E, como todo o empreendimento que envolva dinheiro, quase sempre é preciso haver lucro para que um filme seja considerado bem sucedido. Um dos gêneros que mais tem sofrido desse bloqueio criativo nos últimos anos são os filmes de ação, que tem perdido cada vez mais espaço para os super-heróis e para outros blockbusters (filmes populares).

Filmes blockbusters x Filmes independentes

Os filmes blockbusters são os que ocupam a maioria dos cinemas no Brasil e também em outros países. Apesar de parecerem ser recentes, já estão presentes na indústria hollywoodiana há várias décadas.

Na opinião do cineasta Glauber Santos Paiva Filho, 47, isso é totalmente normal na indústria cinematográfica. ‘‘Os blockbusters têm toda uma lógica industrial, onde essa fábrica se vincula com o gosto do público e sabe se promover com o marketing e as propagandas. Um filme independente, geralmente, não tem isso. Eles têm que conquistar o seu espaço no cinema e são mais baratos e, geralmente, para serem conhecidos pelo público. Eles acabam indo mais para festivais, para ver se encontra uma distribuidora e tentar um patrocinador para o seu filme’’. Paiva Filho afirma que não podemos pensar que, repetir uma estética, é por falta de criatividade. Repetir uma estética é porque o público ainda está consumindo esse momento com os filmes blockbusters.

‘‘Um filme independente, geralmente não tem isso, ele tem que conquistar o seu espaço no cinema e são mais baratos e geralmente para serem conhecidos pelo público’’ (Glauber Filho)

Quando o objetivo é produzir um blockbuster, de acordo com o site Box Office Guru, em torno de 200 milhões de dólares são investidos. Isso culmina também na contratação da melhor equipe de produção, daquele diretor visionário e aqueles atores que estão na “moda”. Tudo isso para atrair o grande público, mesmo assim não é garantia que o filme tenha o retorno do dinheiro investido.

A necessidade de um filme lucrar, ou pelo menos equiparar os seus custos, é completamente compreensível já que muitas pessoas estão envolvidas em suas criações. Em produções pequenas e independentes, esta necessidade é muito menor devido ao pequeno investimento.

Infográfico: Ravelle Gadelha

A era das adaptações

O cinema hollywoodiano tem entrado em um ciclo de adaptações, reboots (nova versão) e remakes (refilmagens). Em muitos casos, até as obras novas são transformadas em franquias para gerar mais lucros. No entanto, é sempre bom diferenciar um filme original de uma obra repetitiva, feito apenas para gerar lucros para a indústria.

Segundo Gabriel Amora, 20, crítico de filmes e co-criador do site ‘‘4 ato’’, opina sobre essa produção massiva de filmes sem roteiros originais. ‘‘Em livros, por exemplo, já tem um público fiel. Se está lançando uma nova adaptação do novo livro do Harry Potter, você já tem um público de 20 anos, os leitores que são fãs dos livros e aqueles que cresceram com a saga de oito filmes do mago. Sequências, porque o primeiro filme deu certo, vamos repetir a fórmula e ganhar a mesma coisa várias vezes, com o mesmo filme’’. Amora defende os filmes que ganharam remakes, já que os filmes que fizeram sucesso no passado não podem ficar apenas naquele tempo, devem ser lembrados pelas pessoas e apresentados para o novo público.

‘‘Sequências, por que o primeiro filme deu certo, vamo repetir a fórmula e ganhar a mesma coisa várias vezes, com o mesmo filme’’ (Gabriel Amora)

A tendência é evidente. Segundo o site Pixable, desde 1975 até hoje, vem caindo o número de filmes originais que conseguem chegar às dez melhores bilheterias, enquanto aumentou significativamente a quantidade de remakes, sequências e franquias. Um exemplo, em 2015, houve apenas dois filmes originais que chegaram ao top 10, Divertida mente e Perdido em Marte.

   

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