O caminhar errado e suas consequências

Por Rhuan de Castro

Aprender a andar é uma das primeiras conquistas do ser humano. Com o passar do tempo, a insegurança dos primeiros passos é deixada de lado e dá lugar a um padrão automático de locomoção. Contudo, a forma de andar é distinta entre as pessoas e algumas delas são responsáveis por sérios problemas de saúde, e desconfortos em regiões específicas do corpo.

No decorrer do dia a dia é difícil encontrar alguém que se preocupa com sua forma de andar. “Muitos acham que sabem andar corretamente, e só vem a descobrir ou se interessar sobre o assunto quando já há alguma consequência como dores e incômodo no quadril, pés, joelhos, coluna vertebral e etc”, afirma Itala Cruz, fisioterapeuta.

“Muitos acham que sabem andar corretamente, e só vem a descobrir ou se interessar sobre o assunto quando já há alguma consequência como dores e incômodo no quadril, pés, joelhos, coluna vertebral e etc.” (Itala Cruz)

O uso prolongado de salto alto prejudica o portador do calçado. Foto: Reprodução.

Além da forma de andar, o uso de calçados inadequados contribui para problemas ortopédicos. O salto alto, por exemplo,  deixa qualquer mulher elegante, mas, de acordo com Itala, o uso frequente desse tipo de calçado pode causar alguns problemas. “O salto alto altera a maneira de andar das mulheres. Com o uso prolongado algumas das regiões do corpo podem ser afetadas, como os pés, calcanhares, tornozelos, joelhos e coluna vertebral”, explica ela.

A falta de alinhamento do retropé é prejudicial na hora da caminhada. Foto: Reprodução.

Enquanto caminhamos, os pés estão sujeitos a forças como tração, fricção e torção. De acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), quando os pés não apresentam equilíbrio muscular e alinhamento do retropé (parte do pé formada pelos ossos tálus e calcâneo), o ideal é que sejam feitas algumas adaptações corretivas como o uso de palmilhas.

Para quem acredita que as palmilhas que acompanham os calçados já bastam, estão enganados. As mesmas apresentam apenas a função de forro interno, tornando necessária a busca por palmilhas específicas. Segundo Hércules Moraes, estudioso da Universidade do Vale da Paraíba, o uso de palmilhas adequadas permite a prevenção e tratamento de alterações posturais.

Conforme Itala Cruz, o paciente que sentir desconforto nos pés ao andar deve buscar orientação de um ortopedista ou fisioterapeuta. “A fisioterapia pode tratar o quadro álgico (crise de dor) do paciente para aliviar as dores e ajudar no realinhamento corporal do paciente”, explica.

Baropodometria

Na busca por resultados mais eficientes sobre a forma de andar, a baropodometria mostrou-se ser uma forma mais precisa e eficaz de analisar a locomoção humana. O teste consiste na análise da forma dos pacientes de caminhar e correr por intermédio de um aparelho, o qual apresenta um gráfico completo com dados referentes ao impacto do pé com o solo, qual parte alcança o chão primeiro, entre outras informações pertinentes para o paciente.

Conforme informações divulgadas pelo site Webrun, Antelmo Spinelli, fundador da Sottopiede – uma clínica especializada em tratar problemas ortopédicos dos brasileiros – fala sobre o teste da baropodometria. Para ele, a ideia inicial era fazer testes em pacientes com alguma patologia, para depois confeccionar palmilhas ortopédicas. Contudo, a nova clientela mostrou que praticantes de esporte e caminhada também poderiam recorrer ao teste.  

Com o intuito de chamar a atenção do público para o exame, Itala enfatiza a importância do procedimento. “O benefício deste exame é a possibilidade de estabelecer um tratamento adequado para os desequilíbrios do aparelho locomotor e testar qual tipo de tratamento irá corrigir as alterações encontradas”.

Infografia: Rhuan de Castro

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