A vida através das lentes de Gabriel Marques

por Letícia Feitosa

Gabriel Marques é um fotógrafo fortalezense de 19 anos que encontrou nas artes uma maneira de se auto descobrir e de contar histórias. Nasceu no dia 11 de Dezembro de 1996 e demonstrou, ao longo do seu crescimento, um fascínio pelo audiovisual e pela fotografia. Apesar da pouca idade, Marques já conta com um acervo de projetos que, aos poucos, estão ganhando reconhecimento em Fortaleza e, principalmente, nas redes sociais.

Foto: arquivo pessoal

Desde criança, estimulou o imaginário. Demonstrou, já cedo, muita afinidade e encanto pelas artes. Na infância, se interessava por atividades mais lúdicas, costumava desenhar e ler revistas de curiosidades e, percebendo isso, sua madrinha sempre o levava para assistir peças teatrais e apresentações artísticas. Até os sete anos, Gabriel achava que seguiria para o mundo das artes cênicas, uma vez que era muito aficionado por cinema. Todavia, com o passar do tempo, entendeu que não era a atuação em si que o atraía, e sim a forma com que as histórias eram contadas nos longas metragens. Então, aos 12, decidiu que queria fazer filmes.

Aos 16, ganhou a primeira câmera. Começou a fotografar em festas e em eventos no bairro para garantir algum dinheiro. No entanto, Gabriel não tinha muito entusiasmo nestes trabalhos. A paixão pela fotografia só surgiu quando ele compreendeu naquela função uma oportunidade de transmitir algo. “Eu só vi que eu queria fotografar quando eu comecei a perceber que eu podia contar histórias com a fotografia”, lembra.

“Eu só vi que eu queria fotografar quando eu comecei a perceber que eu podia contar histórias com a fotografia” (Gabriel Marques)

Autodidata, o jovem pesquisou na internet sobre as técnicas da fotografia e começou a se aprofundar no assunto. Para ele, “a maior importância, além de saber usar a câmera, é saber o que quer transmitir”. Ele praticava estas técnicas em seus primeiros trabalhos, os quais foram, em sua maioria, em eventos do bairro. “Isso me ajudou a comprar mais equipamentos e me aperfeiçoar em fotografia, porque aprendemos muito na prática”, afirma.

Antropofagia

No final de 2014, aos 17 anos, Gabriel criou uma conta no Instagram para divulgar fotos de projetos mais pessoais, denominada Antropofagia. O nome foi inspirado na manifestação artística modernista, “Antropofagia Cultural”. A definição de antropofagia no modernismo refere-se ao ato de “consumir” características e influências do trabalho do estrangeiro e produzir, a partir delas, trabalhos totalmente novos e próprios.

“Veio só de um usuário do instagram e acabou crescendo pra uma coisa sobre mim” Com mais de três mil seguidores, Gabriel exibe em sua conta fotos de seus projetos, do seu cotidiano e de sua irmã, a qual aparece em vários ensaios do fotógrafo. Porém, ele almeja expandir a visibilidade do seu trabalho, e divulgá-los nas ruas de Fortaleza, não apenas no campo digital.

“Veio só de um usuário do instagram e acabou crescendo pra uma coisa sobre mim” (Gabriel Marques)

Primeiros projetos e “Life in Plastic”

“Meus primeiros projetos foram sobre mudança, sobre mim, sobre descobrir coisas novas”, recorda. Os projetos artísticos iniciais do fotógrafo começaram a surgir em 2015, após terminar os estudos do ensino médio.

“Meus primeiros projetos foram sobre mudança, sobre mim, sobre descobrir coisas novas” (Gabriel Marques)

Gabriel imprimiu lambe-lambes do seu projeto “Life in plastic” para colar em diversos pontos de Fortaleza. Foto: arquivo pessoal

No início de 2016, Gabriel idealizou o ensaio fotográfico “Life in Plastic”, com a modelo Sarah Menezes. O conceito do projeto nasceu quando ele percebeu como as redes sociais podem causar más consequências na autoestima dos usuários. “Surgiu quando eu estava usando o instagram e redes sociais em geral, e eu comecei a ficar meio mal com a minha aparência. E percebi que era muito ridículo fazer isso comigo”, conta. O ensaio também retrata as falsas relações que ocorrem atualmente, principalmente on-line. “Este tema é a minha motivação artística agora, sobre relações de mentira, sobre alguns não serem mais tão verdadeiras, e como isso afeta as pessoas hoje em dia.”

Ele produziu todo o projeto sozinho, editou e começou a divulgá-lo nas redes sociais. “Eu notei que ele [o projeto] não podia ficar só no instagram, porque ele critica isso.” Logo, Gabriel teve a ideia de partir para a intervenção urbana e difundir este ensaio nas ruas da capital cearense. Imprimiu alguns lambe-lambes (cartazes que contém conteúdos críticos e/ou artísticos) das fotos e distribuiu em alguns pontos da cidade.

“A morte da democracia” e aspirações

No mês de Setembro de 2016, inspirado nos últimos acontecimentos políticos do Brasil, Gabriel Marques elaborou o ensaio fotográfico “A morte da democracia”. As fotos retratam uma mulher negra sangrando e, de acordo com Gabriel, “a ideia era que a personagem representasse toda a nossa democracia”. O objetivo das imagens era mobilizar o máximo de pessoas para protestarem contra os recentes ocorridos políticos. Com mais de 600 compartilhamentos, o projeto foi o que mais rendeu  visibilidade para o fotógrafo.  

Gabriel ainda mora em Fortaleza e consegue conciliar os estudos na Universidade Federal do Ceará com os sua atuação como fotógrafo. O estudante também conta que seus trabalhos sofrem forte influência das músicas que escuta, como as da Lana Del Rey. “Todas as minhas inspirações vêm de música. Quando eu as escuto, eu imagino clipes ou vejo tudo de uma forma meio cinematográfica, e acabo migrando para essas ideias dos projetos”, conta.

Todas as minhas inspirações vêm de música. Quando eu as escuto, eu imagino clipes ou vejo tudo de uma forma meio cinematográfica. E acabo migrando para essas ideias dos projetos.” (Gabriel Marques)

Gabriel Marques pretende exibir suas fotos em alguma galeria e explorar o campo do audiovisual. Recentemente, dirigiu e produziu seu primeiro videoclipe para a banda cearense Naviguer e, após ingressar em um curso que não o agradou, tentará prestar vestibular para o curso de Cinema e Audiovisual. O jovem fotógrafo ainda encontra diversas possibilidades para contar histórias por intermédio das lentes da sua câmera e prossegue no seu processo de autoconhecimento, sempre atrelado ao mundo das artes.  

Veja a seguir alguns trabalhos de Gabriel Marques:

Life in Plastic

Fotos de Gabriel Marques, para o ensaio “Life in Plastic”

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