Depressão em universitários é um mal cada vez mais comum

por Letícia Feitosa e Rhuan de Castro

A depressão é uma das doenças que mais causa incapacitação ao redor do mundo. De acordo com estudo realizado em 2016 pela Pesquisa Nacional de Saúde, 5,5 milhões de brasileiros correm o risco de adquirir a doença. Acometendo pessoas de todas as idades, a depressão tornou-se comum também entre os jovens universitários brasileiros.

A rotina de estudos em uma instituição de ensino superior pode causar bastante desânimo. As exigências sociais feitas dentro do ambiente universitário, as quais envolvem tanto habilidades interpessoais quanto acadêmicas, como apresentar seminários, dar conta da carga de estudos exigidos, fazer novas amizades, dentre outras, provocam aos alunos uma quantidade considerável de estresse. Estas situações podem gerar desequilíbrio emocional, angústias, baixa produtividade estudantil, ansiedade e depressão.   

A rotina de estudos pode ocasionar bastante estresse. Foto: reprodução

Conforme estudo realizado em 2014 na Universidade Estadual de São Paulo,  de 128 estudantes participantes pesquisados, 64 foram diagnosticados como  suscetíveis à patologia. As pesquisadoras Rosely Figueiredo e Maria Oliveira, explicam os motivos da depressão afetar tanto os jovens universitários. Para elas,  ao ingressar no ambiente acadêmico, o estudante passa por situações de crise acidentais, uma vez que sai do seu ambiente familiar e se depara com um mundo desconhecido, acarretando conflitos por conta da insegurança emocional referente às novas relações.

Medicina é um dos cursos com histórico de maiores índices  de adolescentes com depressão, segundo o psiquiatra Dagoberto Requião. Faculdades pelo Brasil têm constatado que os maiores relatos ocorrem no período conhecido como internato, nos dois últimos anos de faculdade. Neste período os estudantes experimentam na prática o que aprenderam na teoria. Além da realidade encontrada no sistema de saúde brasileiro e o fato de lidar com a morte constantemente, os requesitos do curso acabam gerando situações de medo, insegurança, ansiedade e depressão. Segundo Elza Dutra, pesquisadora, nem sempre os estudantes recebem uma formação adequada para lidar com a morte.

O preconceito

“Você nem está tentando melhorar”, “Não há motivos para estar triste”, “Já pensou em sorrir de vez em quando?”, essas são frases comuns entre uma parte da população que não percebe a depressão como doença. Vista por alguns como apenas um estado comum de tristeza, os portadores da depressão acabam tendo dificuldade em lidar com a patologia perante a ignorância, esta que por sua vez, atrapalha a compreensão da debilidade como uma doença propriamente dita.

A doença

De forma distinta do estado de tristeza, a depressão é um problema de origem neurológica, perceptível por sintomas como mudança de humor, falta de motivação, desânimo frequente e perda de prazer em atividades cotidianas, que antes eram prazerosas. Se não tratada, pode resultar em consequências, como dependência nicotínica, alcoolismo e suicídio. De acordo com pesquisa da OMS realizada em 2015, de 100 pessoas que possuem a patologia, 15 cometem suicídio.

Infografia por Rhuan de Castro

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