Comunicação popular através de mídias comunitárias

Por Letícia Feitosa

As mídias comunitárias/populares atuam em bairros específicos e visam comunicar o que acontece na região em que são veiculados. Sejam rádios, vídeo-reportagens ou jornais impressos, a cidade encontra nessas mídias uma eficiente forma de transmitir informações locais. A modernidade trouxe uma nova gama de possibilidades de baixo custo para esta comunicação. Com o auxílio da internet, essas mídias se expandiram pela cidade de Fortaleza.

Capa da edição de Outubro do Jornal Parque Araxá. Foto: Reprodução

Estes veículos alternativos de comunicação possuem um conteúdo focado em assuntos não priorizados pela grande mídia, mas que remetem às comunidades específicas. A proximidade entre emissor e receptor faz com que as mídias comunitárias continuem ativas. “O principal objetivo é divulgar acontecimentos, lugares e pessoas que tenham alguma relação com a área de circulação”, explica Juracy Mendonça, responsável do jornal comunitário Parque Araxá (JPA).

O jornal foi fundado em 1997 por Mendonça e é vinculado, mensalmente, para 150 leitores residentes dos bairros Parque Araxá, Parquelândia, Rodolfo Teófilo e adjacências. “O JPA nasceu a partir da nossa percepção de que esses bairros mereciam ter um veículo de comunicação que valorizasse seus aspectos sócio-culturais e econômicos, pois os outros veículos, da chamada ‘grande imprensa’, dão poucos espaços para esse tipo de matéria local”,  conta Juracy.

O JPA recebe o apoio dos assinantes, que auxiliam com uma quantia anual, e dos anunciantes, moradores do bairro que possuem alguma empresa e contribuem, mensalmente, com um valor financeiro, que varia conforme o tamanho do anúncio.

A equipe do jornal é composta por cinco voluntários responsáveis por produzir os textos e as fotos, diagramar as páginas e distribuir os exemplares. Segundo Mendonça, os leitores também contribuem na produção do jornal. “A maioria das pautas surge a partir de sugestões dos leitores. Mas a direção do jornal está sempre atenta para buscar outros temas que interessam mais de perto ao crescimento do bairro”, fala.

Evenilson Pinto, idealizador da Jangurussu Tv. Foto: Reprodução/Facebook Jangurussu TV

Entretanto, a capital cearense dispõe de outras mídias praticantes do jornalismo popular, como a televisão comunitária, existente em alguns pontos da cidade. Evenilson Pinto, morador do Jangurussu – um bairro constantemente retratado pela grande mídia como violento e perigoso –  decidiu  criar a Jangurussu TV.

Desde 2014, este projeto tem como objetivo mostrar o bairro com outro olhar por intermédio da rede social Facebook. Atuando sozinho, Evenilson produz e executa as pautas. O conteúdo do jornal abrange temas diversos, desde acontecimentos do bairro, histórias de moradores até notícias sobre esporte. O fundador do projeto explica que a ideia de criar uma TV comunitária “surgiu da paixão pela comunicação, com uma enorme vontade de mudar a história do Jangurussu”.

Participar ativamente da vida da comunidade é a função social do comunicador. Por exemplo, a Jangurussu TV produziu, recentemente, uma matéria sobre a situação de Luan Gomes, de 16 anos, portador de paralisia cerebral. Rejane Gomes, mãe do Luan, explica como conheceu o projeto. “Eu morava antigamente aqui [Jangurussu], mas acabei me mudando para o Maracanaú. Lá passei muita dificuldade por conta da saúde do meu filho, e a falta de remédios no posto de lá. Então, eu voltei para o Jangurussu. Esse rapaz [Evenilson Pinto] veio e fez um vídeo sobre a situação do meu filho. Esses vídeos ajudam muitas pessoas”, conta.

TVs comunitárias no Brasil

No Brasil, a televisão popular surgiu de forma informal, sendo no início, iniciativas de comunicadores que produziam matérias em formato de vídeo, e as projetavam em praças públicas para a comunidade.

A TV Viva foi uma das pioneiras nesse formato de televisão e surgiu nos anos 80, em Olinda. O seu conteúdo era veiculado de maneira itinerante pelos bairros periféricos de Recife e a programação retratava o dia a dia dos que residiam em cada local. Logo, diversas outras televisões populares começaram a aparecer pelas cidades brasileiras, como a Bem TV, de Niterói, e a TV Mocoronga, de Santarém.

Cicilia Krohling Peruzzo, professora da Universidade Metodista de São Paulo, afirma em seu livro “Televisão Comunitária” que esta é uma nova forma de fazer televisão, a qual ajuda a incentivar a organização popular e, apesar de todas as limitações, pode  ampliar o status da cidadania.

A autora também cita em seu outro livro “Comunicação nos movimentos populares: a participação na construção da cidadania” que a comunicação popular em si é um fenômeno que emergiu ou é relacionado ao povo. Nestas mídias, os habitantes são os protagonistas da notícia.

Box: Letícia Feitosa

 

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