Colecionismo: um hobby diversificado

Por Rhuan de Castro

Com o intuito de reunir colecionadores e suas coleções, Fortaleza sediou, em setembro, o 13o. Encontro de Multicolecionismo do Ceará. Idealizado pelo Cearense Sérgio Pinheiro e amigos, a exposição ocorre desde 2003, sempre no mês de setembro, no Hotel Praia Centro. Este ano, participaram do evento 30 coleções, incluindo   de filatelia (selos), de numismática (moedas e cédulas) e telecartofilia (cartão telefônico), entre outras. Esses encontros possibilitam a troca e a comercialização de peças entre os participantes, além de troca de informações.

Passatempo para alguns, investimento para outros. O colecionismo consiste na seleção, organização e exposição de determinados itens. Podem ser compostas por moedas, livros, action figures (bonecos referentes a filmes, jogos ou séries) ou qualquer outro item. Há muitas opções de objetos que constituem a diversidade das coleções e os motivos que levam para este hábito. Entre eles, estão a dificuldade em jogar peças fora, a conservação de momentos importantes da vida ligados a um tipo especial de objeto ou a simples necessidade de conservar o item. “A necessidade de querer ter tudo. Eu gosto de ter livros e HQ’s ao meu alcance para quando quiser, só esticar o braço”, afirma Bruno Cavalcante, estudante de jornalismo da Unifor.

De acordo com o livro “Ter e Manter”, de Philipp Blom, o ato de agrupar e manter coisas é próprio da atividade humana. O autor cita, como exemplo, as coleções renascentistas, como os tesouros do imperador Rodolfo II. Estes  preenchiam cômodos e exigiam a construção de palácios, os gabinetes científicos do século XV, as coleções de arte de Felipe II e as conquistas de Napoleão Bonaparte capazes de abastecer museus parisienses.

Hobby
Linha de action figures chamada Cloth Myth. Foto: Reprodução.

O ato de colecionar é uma atividade que manifesta as características pessoais de um indivíduo, ou seja, o seu valor simbólico está ligado a aspectos do próprio colecionador. Embora alguns considerem uma perda de tempo, esse hobby contribui para a preservação da memória referente à história de cada pessoa. Rogério Santos, técnico em administração e colecionador de action figures, explica que “a maioria dos itens da minha coleção remete a algum filme, série, desenho ou jogo que fez parte da minha vida em algum momento. Quando olho para alguma das peças, a intenção é remeter aquela sensação que eu tive ao conhecer o personagem que ela representa”.

“Quando olho para alguma das peças, a intenção é remeter aquela sensação que eu tive ao conhecer o personagem que ela representa”. (Rogério Santos)

Maria Heldair e sua coleção de cartões telefônicos. Foto: Reprodução.

No que diz respeito ao custo, o colecionador deve realizar pesquisas de preços e opções de itens referentes ao seu acervo. “A dica é colecionar o que couber no seu bolso. Não adianta extrapolar no orçamento. No final, colecionismo é apenas um hobby, por mais que amemos”, orienta Santos. Contudo, para ser colecionador, não precisa ser rico. Heldair de Castro, dona de casa, explica como é possível ter uma coleção com custo zero. “Eu coleciono cartões de telefone já faz um tempo. Eu achava as ilustrações lindas e sempre os guardava comigo. Meus familiares e amigos sabiam desse meu hobby e sempre me ajudavam. No final, consegui reunir mais de 300 cartões”, conta.

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