Super heroína ou símbolo sexual?

Por Camila Magalhães e Rhuan de Castro

Seja em quadrinhos ou em filmes, as personagens femininas estão conquistando cada vez mais de3010staque. Isto é um reflexo do espaço que a mulher tem adquirido nesse universo de super heróis. Entretanto, a hipersexualização dessas personagens tem sido um motivador de debate no público consumidor destes produtos.

Luan Yves Nogueira, 23, concludente de Psicologia da UFC, destaca este aumento na participação da mulher e considera que “o público feminino também se interessa por quadrinhos e, embora existam poucas mulheres escrevendo e desenhando quadrinhos, isso vem crescendo ultimamente”. Contudo, com elas ocupando esses lugares, é provável que essa hipersexualização venha a diminuir. Desse modo, “as mulheres devem buscar se inserir mais para transformar isso”, acredita.

O estudante também questiona o intuito do criador dos quadrinhos em fazer personagens tão hipersexualizados. “Obviamente, a resposta é o lucro. Mas por que lucra? Esse mercado é essencialmente masculino”, explica Luan Nogueira. é perceptível que nas HQ,s raramente há oportunidade para a mulher ser a protagonista. Para Luan, felizmente isso vem mudando. “Personagens novas como a Kamala Khan, que vive as próprias aventuras e não está referenciada a nenhum super herói. E até mesmo em filmes, como o da Mulher-Maravilha, que utiliza de um certo humor para provar que ela não é submissa”, exemplifica.

De acordo com pesquisa feita pelo Instituto Geena Davis de Gênero e Mídia, em 2015, mulheres são mais propensas a serem mostradas de forma sexual pela mídia que os homens (24,2% vs. 11,5%), de uma amostra de 5.799 entrevistados.

A hipersexualização das personagens femininas tornou-se uma forma de apelo que os filmes utilizam para adquirir audiência e estimular o consumo. Um exemplo disso é a personagem Arlequina, interpretada por Margot Robbie, que adquiriu um visual bastante erotizado, com roupas extremamente curtas, além de uma cena bem peculiar no filme Esquadrão Suicida, que é de quando ela fica apenas de sutiã, enquanto se troca, em frente a diversas pessoas. A mesma é visualmente erotizada, com seios acentuados, shorts curtos e poses provocantes.

A raiz da polêmica

Esse conceito de exibição da imagem feminina tem sido utilizado desde a criação da heroína Mulher-Maravilha pelo psicólogo William Moulton, em 1941. Com cabelos pretos, traje curto e poses sensuais, a personagem serviu como modelo para a elaboração e apresentação de outras personagens em quadrinhos, jogos e filmes.

Para Cristiano Lopes, 41, psicólogo e ilustrador do NEAD da UNIFOR, “isso está intimamente ligado com o desenhista da HQ. O intuito do profissional com isso pode ser diverso. Ele pode gostar desse estilo ou achar que pode surtir algum efeito. Os personagens masculinos quase sempre foram representados da forma atual, como uma maneira de mostrar a virilidade do homem. Além disso, não há apenas a exploração física dos personagens, mas a psicológica também é bem recorrente”, destaca.

Já  Luan Yves Nogueira, lembra que “os quadrinhos são uma forma artística moderna. As HQs representam os homens e as mulheres de maneiras muito diferentes. O homem é geralmente aquele personagem que está totalmente vestido, enquanto as mulheres não, pois os corpos delas são o seu atrativo, e não a sua capacidade de luta. A mulher se torna um personagem secundário em relação ao homem. Portanto, toda essa impressão de subvalorização causa uma pressão psicológica, o que gera um sofrimento por não conseguir ser a mulher perfeita”, teoriza.

Ele explica o porquê de haver personagens femininas que se submetem a humilhações físicas e psicológicas. “Toda essa questão do desempoderamento da mulher, que fazem com que a vejam apenas como um objeto, gera uma impressão psicológica de que ela ache que merece essa humilhação por ser inferior. Há, por exemplo, a relação abusiva do Coringa e da Arlequina que nada mais é do que uma relação sádica em que ela é um objeto para ser reprimido. E mesmo Arlequina não gostando disso, cabe a ela tolerar aquilo em prol de algo maior para alcançar seus objetivos.”

“Toda essa questão do desempoderamento da mulher, que fazem com que a vejam apenas como um objeto, gera uma impressão psicológica de que ela ache que merece essa humilhação por ser inferior. Há, por exemplo, a relação abusiva do Coringa e da Arlequina que nada mais é do que uma relação sádica em que ela é um objeto para ser reprimido. E mesmo Arlequina não gostando disso, cabe a ela tolerar aquilo em prol de algo maior para alcançar seus objetivos.” (Luan Yves Nogueira)

Para a Psicóloga Terciana Lima, os valores agregados pelas pessoas interferem na forma como elas recebem o conteúdo da mídia. Ela comenta que o contexto no qual as pessoas são inseridas é determinante na forma como ela lida com os produtos que a mídia oferece. Sejam filmes ou desenhos, fatores como religião, educação e criação influenciam na recepção do conteúdo.

Veja abaixo o trailer de Mulher-Maravilha que deve ser lançado em 2017.

 

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