O Jornalista e o Assassino, de Janet Malcolm, provoca uma reflexão sobre a ética jornalística

Por Douglas Sales

O livro de Malcolm discorre sobre os labirínticos desdobramentos de um crime que chocou o Estados Unidos em 1970. Jeffrey MacDonald, médico militar, foi acusado de ter matado sua esposa, de 26 anos, e suas duas filhas, de 5 e 2, com facadas e pauladas. Ele, no entanto, defendeu-se alegando que sua casa havia sido invadida por quatro pessoas e apenas ele havia sobrevivido (ainda que com ferimentos estritamente superficiais).

Em seu primeiro julgamento, MacDonald, que foi julgado pelos militares, foi absolvido. Enquanto aguardava o segundo, como civil, contratou Joe McGinniss, jornalista e escritor, para escrever um livro contando sua versão do crime. MacDonald e McGinniss estabeleceram um vínculo de aparente amizade durante o período de feitura do livro, que foi publicado em 1983. Ao ser lançado, no entanto, a obra mostrava que o autor julgava MacDonald culpado e que o via como um monstro.

O Jornalista e o Assassino aborda a questão ética do fazer jornalismo em questão: McGinniss se aproximou da sua fonte; tinha total acesso às informações desta; e frequentava a casa da mesma e, no entanto, usou-se da confiança do entrevistado para extorquir todas as informações que ele julgou necessárias para fazer um best-seller.

Janet, com o exímio uso da linguagem jornalística, informa o leitor sobre o caso e guia-o pelas notícias, mas deixa que ele tome suas próprias conclusões. O Jornalista e o Assassino é uma obra essencial para a análise ética do fazer jornalístico.

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